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O papel dos pais na educação financeira

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Preparar os nossos filhos para a vida adulta que tem que passar, invariavelmente, pela sua educação financeira. Apesar de a escola ter um papel importante na aprendizagem do valor do dinheiro, cabe aos pais a grande parte da responsabilidade por conduzir os filhos rumo a uma vida em que estes sejam financeiramente responsáveis.

Ainda que não exista uma receita mágica para ensinar os petizes a gerir o dinheiro da melhor forma, aproveite o genuíno interesse das crianças por temas novos e comece a sua educação financeira pela repetição e criação de hábitos que irão facilitar o enraizamento dos conceitos.

Como se percebe, será, no mínimo, contraproducente, ensinar a uma criança de 6 anos como funciona a bolsa de valores ou para que serve a declaração de IRS, por isso, a introdução de conceitos financeiros e a sua explicação deve ser feita de forma gradual de acordo com a idade da criança. 

Por exemplo, temas simples como distinguir necessidades e desejos, relacionar o dinheiro com o que se pode gastar ou como poupar, são conceitos a introduzir logo desde a idade pré-escolar, enquanto conceitos mais complicados como o crédito ou as fraudes só deverão ser abordados mais tarde, a partir do 3.º ciclo.

Se não sabe por onde começar ou que conceitos financeiros explicar às suas crianças, tome nota das dicas que temos para si:

  • Crianças dos 6 aos 9 anos (1.º ciclo)

Apesar de poder introduzir alguns conceitos simples antes dos seus filhos entrarem na escola, é no momento em que eles iniciam o seu percurso escolar que deve dar início à sua educação financeira.

Nesta faixa etária, com a ajuda de jogos e outras atividades lúdicas, procure estreitar a relação entre as crianças e o dinheiro explicando-lhes de onde vem o dinheiro e como o gastar. Aproveite estes momentos para lhes passar conceitos importantes como:

  • O dinheiro vem do trabalho: explique-lhes que para terem a comida na mesa em todas as refeições ou a roupa que vestem, os pais têm de trabalhar terem dinheiro de forma a poder comprar as coisas de que a família precisa;
  • O que é poupar e para que serve: na sequência da dica anterior, para além de lhes explicar que é necessário trabalhar para se poder ter dinheiro, é importante transmitir-lhes que, caso queiram muito um jogo ou um brinquedo, eles terão de juntar dinheiro para o comprar.

Neste sentido, ofereça-lhes um mealheiro, transparente de preferência, para colocar o dinheiro que recebem no seu aniversário ou festas, de modo a pouparem para comprarem aquilo que querem;

  • Ganhar o próprio dinheiro: de modo a juntar o útil ao agradável, isto é, ensinar-lhes o valor do dinheiro e fazer com que eles se deparem com um primeiro pagamento pelo desempenho de um trabalho, incentive-os a fazer tarefas domésticas, recompensando-os, por exemplo, com 50 cêntimos por fazer a cama e arrumar o quarto;
  • Comparar preços: para além de introduzi-los na gestão do dinheiro, levar os seus filhos consigo ao supermercado é uma boa forma de ajudá-los na disciplina de matemática. Envolva-os na escolha dos produtos, incentivando-os a escolher o mais barato e mostrando quanto poupou pela escolha;
  • Diferença entre necessidade e desejo: Levar os seus filhos entre os 6 e os 9 anos às compras pode servir, igualmente, para ensinar-lhes a distinguir o necessário do supérfluo. Explique-lhes a diferença entre os produtos essenciais, como a fruta ou os legumes, e outros que podem ser dispensáveis, como bolachas ou snacks.

Crianças dos 10 aos 12 anos (2.º ciclo)

Com a entrada no 2º ciclo do ensino básico, a educação financeira torna-se ainda mais importante, mas também mais complexa.

Nestas idades, a pressão social dos amigos adquire um peso crescente. O desejo de terem um telemóvel ou gadget igual ao dos colegas e o forte apelo ao consumo feito pelas campanhas de marketing faz com a mensagem sobre a educação financeira seja mais complexa, mas também mais importante.

Recorde e reforce nos seus filhos a distinção entre supérfluo, bem como a importância de poupar para mais tarde poder comprar o tal objeto de desejo.

Nesta fase, a criança deve também ser capaz de elaborar um orçamento e geri-lo de acordo com os seus objetivos.

Para que a mensagem seja mais eficiente, os pais podem adoptar algumas estratégias, tais como:

  • Estipular uma semanada ou mesada e explicar-lhes que o dinheiro recebido tem de dar para cobrir os gastos e que só voltará a receber a semanada ou mesada na data que definir;
  • Incentivar a encontrar alternativas para ganhar mais dinheiro (vender brinquedos ou roupas que já não utilizam, por exemplo);
  • Ensinar a fazer um orçamento mensal: encoraje o seu filho a manter o registo do rendimento, do que gastou e onde. No final do mês, ajude-o a avaliar os gastos. Instigue-o a analisar se teria sido possível poupar para atingir determinado objetivo;
  • Envolver os seus filhos no processo de abertura de conta, explicando em que consiste e quais as vantagens de ter o dinheiro guardado no banco para fazer com que a poupança cresça ao acumular juros.

Jovens entre os 13 e os 18 anos (3º ciclo e secundário)

Com a entrada dos seus filhos na adolescência, é altura de começar a dotá-los de conhecimentos financeiros mais sofisticados. Aproveite para os colocar a par da forma de funcionamento dos bancos, taxas de juro, noções de investimento e mercados acionistas.

Explique-lhes o que são as ações, as empresas que estão cotadas e como é possível ganhar — ou perder — dinheiro com este tipo de investimentos. Depois de discutir como e porque oscilam os preços das ações, pode aproveitar o embalo para introduzir conceitos mais avançados, como os da procura e ad oferta, os resultados das empresas e o seu peso no valor delas, a política económica e a irracionalidade do mercado financeiro.

A partir dos 16 anos pode começar a pensar em abrir uma conta bancária em nome dele, caso este ainda não disponha, ou passar-lhe para as mãos o cartão de débito e a gestão da sua própria conta. Ao fazê-lo, estará a dar-lhe autonomia para a gestão do seu dinheiro e a prepará-lo para a vida de adulto que se aproxima a passos largos.

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