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“Ainda não há evidência que justifique” vacinar menores de 12 anos

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Jorge Amil Dias, presidente do Colégio da Especialidade de Pediatria afirma que “ainda não há evidência que justifique” a vacinação de menores de 12 anos e que “não se modificou nada” que sustente essa opção.

Em conversa com a Lusa, o presidente do Colégio da Especialidade de Pediatria, Jorge Amil Dias, considerou que não existem dados novos que justifiquem uma alteração para a estratégia aplicada, em termos de vacinação, a menores de 12, referindo que, quando se fala em aumento de casos pediátricos de covid-19, “é exatamente disso que se trata: casos, e não doentes”.

Segundo o presidente do órgão consultivo da Ordem dos Médicos, “Os números que têm sido divulgados de crianças, nomeadamente dos zero aos nove anos (…), são crianças identificadas não em internamento hospitalar, não em cuidados intensivos, mas, seguramente na sua grande maioria, por testagem nas escolas, porque houve um menino, uma empregada ou um professor que foi positivo”.

De acordo com o último relatório de monitorização das linhas vermelhas para a covid-19, é dentro da faixa etária entre os zero e os 10 anos de idade que se tem registado a “mais elevada” incidência cumulativa a 14 dias de casos com infeção pelo novo coronavírus, correspondendo a 298 casos por cada 100.000 habitantes.

Segundo reparou Jorge Amil Dias, “estes números não refletem gravidade de doença, nem refletem grande número de doentes”, referindo que, caso fossem realizados rastreios à bactéria que causa amigdalites e pneumonias, muitos testariam positivo, sem precisarem de qualquer tipo de tratamento.

Os testes feitos que resultaram no aumento dos números não foram efetuados, “na esmagadora maioria”, porque as crianças se encontravam doentes, mas sim porque as crianças ou “andam a espirrar e têm tosse ou têm febre e alguém achou que era prudente fazerem o teste, ou por mero rastreio epidemiológico”.

O presidente do Colégio de Especialidade de Pediatria clarificou que “Aquilo de que precisamos é de tratar pessoas que estão doentes”, mencionando que a “moda” da covid-19 está a afastar o foco de “doenças severas nas crianças, que não fazem títulos de jornais”, considerando que esta “desproporção” está a consumir todo o tipo de recursos, desde humanos a financeiros, com um efeito “inapropriado”.

Um estudo realizado em crianças com idades compreendidas entre os 5 e os 11 anos mostrou que, quando se introduz o antigénio no organismo, apenas ao fim de algum tempo há produção de anticorpos, sendo que esta investigação está em processo de avaliação por parte da Agência Europeia do Medicamento, que deverá pronunciar-se sobre assunto ainda esta quinta-feira.

Segundo Jorge Amil Dias, no entanto, o estudo “só avaliou se as crianças desenvolveram anticorpos” e não “mostrou que esta população ficava mais protegida, não mostrou que tinha diminuído a contagiosidade ou que tinha alterado a epidemiologia”, acrescentando, ainda, que “em termo populacionais, é um um estudo pequeno” (perto de 2.400 crianças).

O pediatra afirmou, ainda, que  “qualquer outra extrapolação deste estudo é um abuso científico, porque não foi esse o objetivo, nem os números têm dimensão para o demonstrar”.

O presidente do órgão consultivo da Ordem dos Médicos mencionou, também, que “A vacina tem sido muito eficaz a evitar mortalidade, a reduzir morbilidade nas populações que têm esse risco. Nas crianças e nos adolescentes, não só não fizeram desaparecer a pandemia, não impediram a transmissão, não alteraram a vida nas escolas”, sendo que encaminham “toda a gente para casa porque apareceu um caso positivo”.

O pediatra considera que “cada país terá de avaliar a sua realidade” e que, no panorama português, não é necessário vacinar os menores de 12 anos de idade. Para Jorge Amil Dias, em países com adesão mais baixa à vacinação contra a covid-19 é “compreensível que os governos se virem para toda a gente”, sendo que em Portugal não existe esse tipo de pressão.

Sublinhou, ainda, que “O nosso objetivo não é controlar ao máximo a difusão do vírus, é controlar ao máximo a mortalidade que ele causa. Estas vacinas não impedem a difusão do vírus”.

Em análise ao atual cenário, Jorge Amil Dias argumentou a favor da concentração de esforços na terceira dose em grupos de maior risco e de uma “visão globalista”, visto que “há vacinas que estão a fazer falta noutros sítios, para controlar o processo a nível global”.

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Escrito por João Serra

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