Início » Notícias » Cidadãos ameaçam boicote face ao preço dos combustíveis
Nacional Notícias

Cidadãos ameaçam boicote face ao preço dos combustíveis

Cidadãos

Preço dos combustíveis está entre os mais caros da Europa inteira, sendo que existe a possibilidade de voltar a subir dentro de uns dias. Camionistas ameaçam protestar e cidadãos apelam a boicote do abastecimento.

As reações à contínua subida dos preços dos combustíveis vão-se tornando cada vez mais fortes, pelo que existem várias ações e protestos de grupos e cidadãos e ameaças por parte dos camionistas em fazer greve.

Amontoam-se dirigidas ao Governo, ao Parlamento e ao Presidente da República, e isto agrega-se ao facto de, esta sexta-feira, a primeira de diversas “greves” ao abastecimento começar, anunciada num grupo privado com cerca de 420 mil aderentes.

É neste grupo privado do Facebook, de nome “Greve aos combustíveis”, que está anunciado, não só o protesto desta sexta-feira, mas a intenção de realizar diversos outros, para os dias 21 a 22 de outubro e 28 a 29 do mesmo mês.

No grupo, afirmam que Portugal deve deixar de ser “um povo manso” e obrigar o Governo, através de greves ao abastecimento, a perceber o impacto negativo na subida de preços dos combustíveis, declarando, ainda, que “Isto podemos controlar! O dinheiro, onde gastamos e quando!”.

De acordo com Ricardo Freitas, um dos organizadores deste grupo, em conversa com o “Dinheiro Vivo”, o objetivo do protesto é pressionar o Governo a “baixar os impostos” sobre os combustíveis, apelando aos cidadãos portugueses para não abastecerem nos dias destacados, recordando que 60% do valor pago por litro vem dos impostos  (1,73 euros por litro e 1,53 por litro, respetivamente).

Várias petições partilhadas nas redes sociais acompanham esta onda de descontentamento, sendo que uma delas protesta “os preços dos combustíveis mais altos da Europa”, criticando “taxas e impostos” e a “liberalização dos preços” e atacando o presidente da Assembleia da República, Eduardo Ferro Rodrigues.

O “Diário de Notícias” revela que o descontentamento já alcançou, de igual forma, aos camionistas, mencionando “movimentações” para evitar subidas de preços que podem provocar “falências”.

Já na passada quinta-feira, dia 14, o presidente da Associação Nacional de Transportes Públicos Rodoviários (ANTRAM), Pedro Polónio, afirmou “não se admirar nada” com a existência de protestos, apesar da associação não ter promovido qualquer paralisação.

Recorde-se que, este mês, foi aprovada, pelo Parlamento, a proposta do Governo que permitirá fixar limites aos preços quando estes se verificarem demasiado altos “sem justificação”, segundo explicou João Pedro Matos Fernandes, o ministro do Ambiente e da Ação Climática. O Executivo, no entanto, mantém-se firme em recusar tomar medidas diretas para baixar os impostos, como pode ser observado no Orçamento de Estado.

O ministro de Estado e da Economia, Pedro Siza Vieira, em entrevista à RTP, esta semana, defendeu que é necessário entender “se isto é uma coisa esporádica e excecional” antes de “alterar muito significativamente não só a estrutura destes impostos, como também toda a estrutura da nossa fiscalidade”.

Relativamente aos preços do combustível, de acordo com o último boletim da Comissão Europeia, Portugal tem a sexta gasolina e o sétimo gasóleo mais caro entre os Estados-membros.

O preço já subiu mais de 30 vezes desde o início do ano, sendo que está prevista uma nova subida para a próxima semana.

Escrito por João Serra

Publicidade

Publicidade