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Conversações com talibãs são para continuar, diz UE

Conversações

Após o encontro de uma delegação com o regime talibã, que teve lugar este fim de semana, no Qatar, a União Europeia (UE) afirmou que continuará com as conversações para garantir ajuda humanitária em território afegão.

Segundo a porta-voz do Serviço Europeu para a Ação Externa (SEAE), Nabila Massrali, “A ideia é continuarmos as conversações” de modo a “sermos capazes de garantir que podemos oferecer o máximo de acesso de ajuda humanitária ao Afeganistão”.

Massrali referiu, ainda, que a UE retornará ao Afeganistão com um escritório em Cabul, a capital do país, “quando as medidas de segurança forem apropriadas”.

Já Zabiullah Mujahid, porta-voz do regime talibã, apresentou, após reunião de domingo, uma versão diferente daquela prestada por Massrali, afirmando que a delegação europeia “prometeu a continuação da presença de um gabinete humanitário da UE em Cabul para prestar assistência humanitária”.

Na verdade, a UE, através de um comunicado, divulgou a sua versão da reunião deste fim de semana, garantindo que o encontro que teve lugar este domingo, bem como a possibilidade de reabertura de um escritório na capital afegã, significam o reconhecimento do bloco comunitário do governo talibã.

O SEAE manifestou a “vontade de considerar a possibilidade de prestar uma assistência financeira substancial em benefício direto do povo afegão”, orientada “exclusivamente” pelas organizações internacionais e organizações não-governamentais (ONG), lembrando, no entanto, que a ajuda ao desenvolvimento do Afeganistão, por parte da UE, continua suspensa.

A UE informou, ainda, que o regime talibã garantiu a passagem segura para estrangeiros e afegãos que desejem deixar o país.

Desde que as tropas norte-americanas evacuaram o território afegão neste verão, após 20 anos de presença, são objetivos prioritários da UE garantir a saída dos europeus e perceber como atenuar a crise humanitária vivida no Afeganistão.

Após as sanções económicas internacionais e dos Estados Unidos, aplicadas com o objetivo de impedir o acesso dos talibãs ao sistema financeiro internacional, na sequência da chegada dos líderes islâmicos ao poder afegão, a 15 de agosto, o país tem vivido uma crise humanitária sem precedentes.

Os fundos que visavam manter em funcionamento o sistema sanitário e a distribuição de ajuda humanitária ao Afeganistão, que vinha sendo arrasado por vários anos de conflito bélico, foram congelados pela banca, bem como pelos serviços financeiros internacionais.

Escrito por João Serra

 

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