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Etiópia: Ajuda humanitária travada pelas autoridades

Etiópia

Vários grupos de ajuda humanitária e 72 camionistas contratados pelas Nações Unidas (ONU) foram detidos pelas autoridades etíopes devido à declaração de estado de emergência, por parte do Governo daquele país, na semana passada, graças à escalada da guerra na Etiópia.

 De acordo com uma declaração da organização intergovernamental, “a ONU procura as razões das detenções desde 3 de novembro na cidade de Semera, a porta de entrada para comboios de ajuda humanitária que lutam para chegar à região de Tigray”. Para a ONU, trata-se de um “bloqueio humanitário”.

Já Legesse Tulu, porta-voz do Governo da Etiópia, não respondeu a quaisquer perguntas sobre o tema.

A organização revela esta informação apenas um dia após ter divulgado que pelo menos 16 funcionários da região de Tigray tinham sido detidos em Adis Abeba, capital do país da África Oriental.

Conforme divulga a Associated Press (AP), diversas testemunhas afirmam que milhares de pessoas “têm sido varridas” desde o início do estado de emergência, na semana passada.

Estas informações surgem na sequência de diferentes testemunhos que reportam uma aproximação por parte das forças de Tigray da capital etíope, em luta contra as forças do país.

Relativamente aos 16 funcionários da ONU detidos em Adis Abeba, o porta-voz do Governo etíope afirmou à AP que o mesmo ocorreu devido a “participação no terror” não relacionada com o trabalho, sendo que o Governo diz estar a deter pessoas por suspeitas de as mesmas apoiarem as forças de Tigray.

A 18 de outubro, os militares etíopes começaram a atingir a capital de Tigray, Mek’ele, com ataques aéreos, e, consequentemente, têm existido diversos entraves à ajuda humanitária, nomeadamente na distribuição de alimentos, medicamentos e combustível.

Segundo a ONU, “Estima-se que 80% dos medicamentos essenciais já não estejam disponíveis” na região.

Sem darem provas, o Governo da Etiópia acusou grupos humanitários de armarem os combatentes e de agravarem o estado de crise vivido no país, desconfiando que o auxílio aos civis possa ser usado como pretexto para apoiar as forças de Tigray.

No contexto de esforços diplomáticos para um cessar-fogo imediato, Getachew Reda, porta-voz das forças de Tigray, num tweet publicado esta quarta-feira, afirma que “a maioria das ‘iniciativas de paz’ têm sobretudo a ver com salvar (o primeiro-ministro da Etiópia)”.

“Os esforços que não conseguem resolver as nossas condições e a tendência para confundir questões humanitárias com questões políticas estão condenados ao fracasso”, acrescentou.

A guerra na Etiópia teve início a 4 de novembro de 2020, quando Abiy Ahmed, primeiro-ministro etíope, enviou o exército daquele país para Tigray com o intuito de retirar do poder as autoridades da Frente Popular de Libertação de Tigray (TPLF), acusadas de terem atacado bases militares.

Abiy Ahmed, vencedor do Prémio Nobel da Paz em 2019, declarou vitória três semanas após o início dos confrontos bélicos. No entanto, os combatentes da TPLF reconquistaram a maior parte de Tigray em junho deste ano, avançando, posteriormente, para regiões vizinhas.

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Escrito por João Serra

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