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Médicos de família referem “ataque” à especialidade

médicos de família

Vários médicos de família encontram-se em frente ao Ministério da Saúde, em protesto contra a medida do Governo que permite a contratação de clínicos sem especialidade para centros de saúde.

Cerca de duas centenas de manifestantes estão a exigir a revogação da norma incluída no Orçamento do Estado 2022, considerando-a um “ataque” à especialidade de medicina geral e familiar, sendo que alguns chegam a pedir a demissão de Marta Temido do cargo de Ministra da Saúde.

De acordo com a agência Lusa, pode ler-se num dos cartazes de protesto “Marta Temido sem perdão, pede a demissão”.

Nuno Jacinto, presidente da Associação Portuguesa de Medicina Geral e Familiar (APMGF), após ter discursado diante dos médicos manifestantes, foi recebido por Marta Temido.

“Estamos perante um problema grave criado pela nova lei do Orçamento do Estado, um retrocesso na prestação de cuidados aos nossos utentes nos centros de saúde. Rejeitamos médicos não especialistas a assumir a responsabilidade de fazer o seguimento de listas de utentes completas nos centros de saúde”, afirmou.

Aos jornalistas, o presidente da APMGF considerou que, em Portugal, existem especialistas em medicina geral e familiar “em número suficiente para cobrir as necessidades da população, mas não tem havido a capacidade de os captar e reter no SNS por questões políticas que foram acontecendo nos últimos anos”.

“Temos mais de 1700 especialistas já fora do SNS. A solução não é ir buscar não-especialistas, mas garantir os especialistas que já formámos, e que continuaremos a formar nos próximos anos, a fazerem o trabalho para o qual foram treinados”, defendeu, citado pela Lusa.

Para Nuno Jacinto, a solução para a falta de médicos de família passa, não apenas por um aumento salarial, mas também pela “existência de carreiras atrativas, que sejam funcionais e que permitam uma diferenciação progressiva baseada no mérito”.

“Precisamos de melhores condições de trabalho, designadamente de melhores instalações, e de uma valorização global do trabalho destes profissionais. Essa valorização não acontece quando se passa a mensagem de que qualquer médico pode fazer o vosso trabalho”, argumentou, acrescentando que a medida do Governo português é “é uma desconsideração e um desrespeito”.

O presidente da APMGF disse, ainda, que ao “dizerem-nos que qualquer médico pode fazer o vosso trabalho significa que não nos querem no SNS”.

Recorde-se que o mais recente Orçamento do Estado admite a contratação excecional de médicos sem especialidade, enquanto não existirem condições para garantir médico de família a todos os utentes, sendo esta medida uma resposta para o facto de, segundo Marta Temido, 1,3 milhões de pessoas não terem médico de família, em parte, devido ao crescimento do número de inscritos no SNS.

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Escrito por João Serra

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