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Militares pedem respeito, diálogo e aumento de salários

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As Associações Profissionais de Militares pediram, esta quarta-feira, dia 22, respeito e diálogo institucional com o Governo, criticando uma “política salarial de indigência” sem “aumento digno” que decorre há “mais de dez anos” e recusando que os militares sejam utilizados para “fins eleitoralistas”.

A Associação de Oficiais das Forças Armadas (AOFA), a Associação Nacional de Sargentos (ANS) e a Associação de Praças (AP), em comunicado conjunto, criticaram as palavras do Primeiro-Ministro português, António Costa, na sua visita a São Tomé e Príncipe.

António Costa declarou, no domingo, dia 19 de dezembro, que os cidadãos portugueses têm consciência acrescida sobre o preponderante papel das Forças Armadas, atribuindo destaque ao envolvimento dos militares no combate à pandemia e aos incêndios florestais, bem como ao trabalho desenvolvido pelos mesmos em missões externas.

A Associações Profissionais de Militares realçam, no entanto, que “A verdade é que o primeiro-ministro de Portugal – e o Governo que lidera – não partilhou deste acréscimo de consciência em relação ao papel fundamental das Forças Armadas Portuguesas. Não a partilhou quando manteve na sua governação a suborçamentação do orçamento da Defesa Nacional em matéria de manutenção dos equipamentos e das infraestruturas”.

A AOFA, a ANS e a AP sublinharam, ainda, que António Costa “não partilhou deste acréscimo de consciência”, igualmente, “quando manteve na sua governação uma política salarial de indigência dos militares, sem qualquer aumento digno desse nome há mais de dez anos, mantendo-os com salários abaixo aos dos praticados nas carreiras dos corpos especiais e até do regime geral”.

Para as Associações Militares, existe uma “política de atraso premeditado e permanente nas promoções, lesando, de forma grave e reiterada, o vencimento dos militares não promovidos, e uma política constante de negação e de ausência de diálogo e de cumprimento da lei em relação às Associações Profissionais de Militares, parceiros sociais habilitados a representar os militares das Forças Armadas”. 

Por esta razão, os representantes dos militares consideram que as Forças Armadas “não podem constituir-se como expedientes para a satisfação de interesses pessoais e particulares, nem tão pouco devem servir para justificar a alteração ou o ajuste de leis para esses propósitos”.

“Os militares não governam a sua vida com aumentos de consciência e agradecimentos de primeiros-ministros, governantes e chefes militares bons na propaganda, eficientes na gestão das suas imagens pessoais e proficientes e eficazes nos jogos de poder, nas facadas nas costas e no aparecimento nas revistas cor-de-rosa e programas televisivos do ‘jet-set'”, afirmam a AOFA, a ANS e a AP.

Os militares, de acordo com as Associações Profissionais, necessitam de ser “respeitados, dignificados, ouvidos institucionalmente, promovidos e com os vencimentos atualizados como manda a lei, no respeito pleno e devido dos seus direitos e não de serem usados como alavancas de carreiras pessoais e ou de fins eleitoralistas em cerimónias rituais por ministros em fim de ciclo político acompanhados por chefes subservientes”.

No comunicado, os representantes dos militares concluem pedindo que “os governantes sejam sérios e arrepiem este caminho de desgovernação também da Defesa Nacional”.

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Escrito por João Serra

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