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País bate recorde na quebra de nascimentos

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Foi esta quarta-feira divulgado o número de “testes do pezinho” realizados, sendo que foram registados menos de 80.000 bebés rastreados em Portugal, fazendo o país bater um recorde histórico na quebra de nascimentos.

De acordo com a demógrafa Maria João Valente Rosa, em conversa à Lusa, ​​”hoje, em Portugal, estamos a bater um recorde histórico”, referindo os dados obtidos no ano de 1911.

Segundo a especialista, “Nunca tivemos um número de nascimentos tão baixo em Portugal”.

Conforme revelam dados divulgados pelo Instituto Nacional de Saúde Ricardo Jorge (INSA), pela primeira vez no país, o “teste do pezinho” rastreou, no ano de 2021, apenas 80.000 bebés.

“Isto tem a ver com o ano em que os bebés foram concebidos”, afirma Maria João Valente Rosa, mencionando a pandemia como fator decisivo para este fenómeno.

Segundo constatou a demógrafa, a incerteza associada à crise provocada pela pandemia, em termos laborais e sanitários, os problemas com as visitas nos hospitais e no acompanhamento dos partos e o medo de contrair o vírus foram fatores que pesaram na decisão de ter um filho.

“Temos de compreender estes dados à luz da pandemia. Os nascimentos já estavam a baixar muito, mas nunca tivemos valores tão baixos”, disse.

Maria João Valente Rosa realçou, ainda, que “Este período foi muito marcado por situações altamente difíceis. Nunca Portugal registou valores tão baixos na sua História”.

Em 2021, foram rastreados 79.217 recém-nascidos no âmbito do Programa Nacional de Rastreio Neonatal (PNRN), menos 6.239 do que em 2020 (85.456).

A demógrafa refere, também, que a queda no número de nascimentos associada ao aumento do número de óbitos fará Portugal fechar o ano com um saldo de população “extremamente negativo”.

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Escrito por João Serra

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