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Saúde e Bem-Estar

A Música faz bem à saúde

A Música faz bem à saúde

Se o filósofo alemão Friedrich Nietzsche afirmou que “sem a música, a vida seria um erro”, nós acrescentamos que não seria só um erro, como a música faz bem à saúde.

Não foi apenas o excêntrico Nietzsche a exaltar o poder curativo e criador da Música. Séculos antes, já Platão, para quem a música era “o grande remédio da alma”, e Aristóteles, que afirmava que “as pessoas que sofrem de emoções descontroladas, depois de ouvirem melodias que elevam a alma ao êxtase, regressam ao seu estado normal, como se tivessem experimentado um tratamento médico”, partilhavam a ideia da música como um excelente meio terapêutico.

Os filósofos dizem-no e a ciência tem-se esforçado por comprová-lo.

No final da II Guerra Mundial, os músicos foram chamados a diversos hospitais para ajudarem na recuperação das vítimas da guerra e, a partir de 1944, os Estados Unidos decidiram aceitar a música como uma forma de terapia e formar profissionais de saúde nesta área.

Daí para cá, a investigação sobre as benesses da música para a saúde foi aprofundada chegando a dados reveladores que agora partilharemos consigo.

Benefícios da Música para a Saúde

“Depois de revermos inúmeros estudos realizados acerca da influência da música na saúde humana, encontraram-se provas convincentes de que as intervenções musicais podem ter um importante papel na saúde”.

A frase é do neurocientista e músico Daniel Levitin, autor do livro Uma Paixão Humana: o seu Cérebro e a Música (This is Your Brain on Music na versão original) e serve de mote à apresentação de tudo aquilo que a ciência já provou em relação ao binómio música-saúde.

• Reduz o stress e a ansiedade

Para além do prazer que nos proporciona, ouvir música regularmente tem efeitos positivos na redução do stress e da ansiedade.

De acordo com Armando Sena, neurologista, professor na Universidade Nova de Lisboa e autor da obra Cérebro, Saúde e Sociedade, “as alterações decorrentes da música são sobretudo a nível hormonal e de marcadores inflamatórios que se relacionam com o stresse, que alteram o sistema nervoso simpático e parassimpático”.

Como vários estudos têm demonstrado, a música pode diminuir esses marcadores, já que favorece a resistência ao stresse.

Um desses estudos vem da Suécia. Uma equipa de investigadores demonstrou que ouvir melodias relaxantes no pré-operatório reduz a necessidade da administração de medicação para controlar a ansiedade.

Outra investigação, também realizada na Suécia, comprovou que nos doentes recém-operados a doenças coronárias, os níveis de cortisol no sangue (associados ao stresse) diminuíam mais rapidamente se ouvissem música.

• Controla os batimentos cardíacos e diminui a pressão arterial

A Banaras Hindu University, Índia, conduziu um estudo que procurou encontrar uma relação entre a música e a recuperação de pacientes com doença coronária. O resultado não podia ser mais claro: ouvir música reduz a pressão arterial e os batimentos cardíacos dos doentes.

• Controla e reduz os níveis de dor

A música controla e reduz os níveis de dor. Foi a esta conclusão que investigadores da Universidade de Almeria chegaram no âmbito de um estudo que procurou perceber o impacto da música em 60 doentes com fibromialgia, uma patologia crónica caracterizada por intensas dores musculares.

Divididos em dois grupos de 30, durante quatro semanas, um desses grupos estive exposto a uma hora de música diária, ao contrário do outro. Concluiu-se que, avaliando a dor dos doentes através de uma escala devidamente certificada, o grupo de intervenção que ouviu música teve dores menos intensas.

De igual modo, um grupo de investigadores de Taiwan conduziu uma experiência com doentes recém-operados à coluna vertebral e concluiu que a música tinha efeitos positivos na redução da dor no pós-operatório.

• Previne doenças como Parkinson e ajuda a manter a saúde física e mental

Quando ouvimos música, o nosso cérebro liberta dopamina, neurotransmissor estimulante do sistema nervoso. A libertação deste neurotransmissor vai acabar por ajudar a contribuir para prevenir doenças como Parkinson, que advém, lá está, da desregulação da produção de dopamina.

Para além deste doença neuro-degenerativa, várias investigações demonstraram que a atividade musical durante o envelhecimento ajuda a melhorar o humor, a memória, o sentido de orientação e a coordenação motora em geral.

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