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Chá, uma bebida saudável e histórica

Chá

Esta é a história de uma bebida que nasce na China, mais concretamente nas raízes da planta Camellia sinensis, e que com a ajuda dos portugueses e de um pouco de água quente se tornou um ícone mundial: o chá.

Uma breve História do Chá

Apesar de não ser possível datar com precisão o momento em que o chá entrou na nossa dieta, existem relatos que apontam que, em 2737 A.C., o imperador chinês Sheng Nung não passava sem a sua diária chávena de chá devido às suas propriedades medicinais.

Porém, foi preciso esperar até ao século VII para que o papel da China enquanto “berço” da cultura do chá ficasse imortalizada. Isto deveu-se ao tratado de Lu Yu, o primeiro documento sobre chá com caráter técnico.

A internacionalização do chá ocorreria no século seguinte, altura em um monge budista levaria consigo esta bebida até ao Japão. E foi aqui, no Japão, que os primeiros europeus acabaram por ter contacto com esta bebida e, como não podia deixar de ser, os portugueses foram os responsáveis. Aliás, chá pronuncia-se da mesma forma em Portugal e na China apesar das diferenças na forma como a palavra é escrita.

Ainda que tenhamos sido os primeiros europeus a prová-lo, acabaram por ser os holandeses a importarem as primeiras cargas vindas da China. Mesmo que tenha perdido a guerra comercial para os holandeses, os portugueses iriam ter um papel fundamental no nascimento do típico “chá das cinco” britânico pela mão de Catarina de Bragança (filha do rei D. João IV e da rainha D. Luísa de Gusmão).

Depois de se ter casado com o rei Carlos II, a já “convertida” ao culto do chá Catarina leva consigo a bebida para Inglaterra e lá começa a patrocinar “Tea Parties”, onde a chá passou a ser apreciado pelas mulheres da corte britânica e, mais tarde, também pelos homens.

Daí para cá, o consumo de chá globalizou-se sendo, hoje em dia, uma das bebidas mais consumidas e apreciadas no planeta não só pela facilidade da sua preparação e pelo sabor, mas também pelas suas propriedades medicinais.

O chá e os seus benefícios para a saúde

É fácil enumerarmos uma série de bebidas que levam chá no nome, mas nem todas elas podem ser, de acordo com os puristas, consideradas como tal.

Dentro deste corpo de especialistas, existem aqueles que consideram apenas quatro tipos de chá (verde, preto (designa-se vermelho na China), branco e oolong) e aqueles que afirmam ser seis as bebidas dignas desse nome (branco, amarelo, verde, preto, Oolong e Puerh ou fermentado (chá medicinal).

A razão para esta divisão entre aquilo que é chá daquilo que é uma infusão, está nas próprias características da Camellia sinensis. Esta planta contém flavonoides, antioxidantes e teína (a cafeína do chá), o que não existe nos restantes “chás”, os quais, na verdade, são apenas infusões.

O processo de oxidação define o tipo de chá: o verde não tem oxidação, o branco é seco ao natural, sem oxidação, o amarelo tem uma pequena oxidação, o Oolong tem oxidação média, e o preto é o mais oxidado.

Seja qual for o chá que se escolha para beber, há duas regras importantes que devem ser sempre cumpridas: a temperatura da água (não deve ferver, entre os 90ºC e os 95ºC) e o tempo de infusão, que varia entre dois minutos, para os chás verde e branco, e quatro minutos, para os mais oxidados.

Independentemente das divergências quanto às variedades originais de chá, ninguém coloca em causa os efeitos benéficos do chá para a saúde. Eis alguns dos tipos de chá mais consumidos pelos portugueses e os seus benefícios para a saúde do nosso organismo.

• Chá Verde

Conhecido por ser “amigo das dietas” devido às suas propriedades diuréticas, o chá verde também ajuda a manter o fluxo sanguíneo e um baixo colesterol, importantes para a prevenção de doenças cardiovasculares como a hipertensão ou a falência cardíaca.

Além disso, a ingestão deste chá faz bem ao cérebro, dado que mantem um fluxo sanguíneo saudável, proporcionando maior atividade na área da memória e prevenindo a formação de placas, condição ligada à doença de Alzheimer.

O chá verde ajuda ainda a manter os níveis de açúcar no sangue estáveis em pessoas com diabetes.

• Branco

O branco que lhe dá o nome advém do facto de as suas folhas e rebentos serem apanhados antes de estarem completamente abertos, o que faz com que estas ainda estejam cobertas por uma penugem esbranquiçada.

Como é menos processado do que o chá verde e preto, o chá branco tem maiores quantidades de catequinas o que acaba por resultar num reforço do sistema imunitário, na redução da inflamação e, em junção com a cafeina, no aumento da atividade metabólica entre 4% a 5% (o equivalente a 70 a 100 calorias por dia), o que potencia a perda de peso.

Para além destes benefícios, o chá branco é ainda rico em nutrientes antioxidantes, promove a saúde cardíaca, previne o “mau” colesterol e ajuda a inibir a formação da placa bacteriana devido à presença de fluoreto na sua composição.

É também um aliado na estética, pois atua nas unhas (fortalece-as), pele (mais lisa) e cabelos (mais brilhantes e volumosos).

• Oolong

Proveniente da “ancestral” Camelia Sinensis”, esta variedade de chá tradicional chinês combina as qualidades dos chás verde e preto tornando-se de extrema mais-valia no controlo dos níveis de colesterol total, triglicerídeos e LDL (mau colesterol), bem como na redução do risco de doença cardíaca graças ao seu forte poder antioxidante que advém da cafeína e dos polifenóis que fazem parte da sua composição.

Apesar destes benefícios, o chá Oolong contém cafeina, o que pode elevar os níveis de ansiedade ou insónias devendo, por isso, ser consumido com moderação.

• Preto

Forte e aromático, este chá é bastante rico em teína, o que contribui para aumentar os níveis de energia do corpo. Por ser rico em polifenóis e catequinas, o chá preto pode ajudar na prevenção de alguns tipos de cancro e ajudar a reduzir o risco de aterosclerose.

Beber regularmente chá preto também pode contribuir para a diminuição do colesterol alto, da diabetes, da doença de Parkinson e, de acordo com um conjunto de estudos datados de 2009, pode ajudar a prevenir a ocorrência de um AVC isquémico (o mais frequente).

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