Jah vai regressar ao panteão das gravuras rupestres em Portugal, que é como quem diz que o HIM Dub Festival está de volta às margens do rio Côa para sete dias de muito reggae, dub e soundsystems.
Entre os dias 24 e 30 de agosto, a bela e tranquila Rapoula do Côa vai voltar a agitar-se com os dreadlocks e as rastas dos milhares de festivaleiros esperados junto ao rio Côa para a quinta edição do HIM Dub Festival.
Durante sete dias, o reggae, o dub e os soundsystems serão rotina nessa pequena aldeia beirã numa experiência que vai misturar cultura rastafari, natureza e uma comunidade que cresce anos após ano.
O que ver, ouvir e fazer
Quem se deslocar a Rapoula do Côa para o 5º HIM Dub Festival, vai encontrar três palcos que, por sua vez, refletem três identidades próprias: o Dub Temple, a River Station e o Roots Garden.
Por estes palcos vão passar mais de 60 artistas, entre mais consagrados e projetos emergentes, dos mais variados cantos do mundo, dos quais se destacam Roots Revival Sound System, Wandem Sound System, King Alpha e Rod Taylor.
Além das vibrações emanadas de cada um destes palcos, os festivaleiros vão poder contar, igualmente, com sound systems construídos à mão e que prometem oferecer uma qualidade sonora que irá fazer os fãs embalarem o corpo e os sentidos rumo a tardes e noites inesquecíveis.
O HIM Dub Festival não se fica, contudo, pela música.
A organização construiu uma programação paralela que inclui workshops de permacultura, sessões de bem-estar, palestras sobre cultura rastafari e conversas com produtores musicais que partilham os bastidores da criação sonora.
Além dos soundsystesm, no centro do festival, vai encontrar-se a House of Rastafari que funcionará como centro cultural do festival, oferecendo aos visitantes contexto histórico e experiências que vão além do estereótipo.
Voltando ao início, na abertura de portas do festival terá lugar a cerimónia Nyahbingi que definirá o tom espiritual que marca os dias seguintes.
Sustentabilidade e promoção da economia local são o core do festival
Rapoula do Côa pode não ser uma escolha óbvia no roteiro dos festivais de verão portugueses, mas até nisso marca pela positiva.
Esta escolha, segundo a organização, reflete uma preocupação em dinamizar o interior português, trazendo centenas de pessoas a uma região que normalmente não está nos roteiros turísticos de verão.
Esta aposta no que a região tem de melhor, está bem plasmada na gastronomia, setor que vai incluir comida vegetariana e ital food, preparada com ingredientes da região sempre que possível.
Já do lado do artesanato, o mercado que terá lugar no espaço do festival dará palco a artesãos portugueses que raramente têm acesso a uma montra com milhares de potenciais clientes.
A par do fomento da economia local, o HIM Dub Festival marca por uma preocupação com a sustentabilidade que se faz sentir, particularmente, nas medidas de redução de plástico, gestão de resíduos e sensibilização ambiental que fazem parte da experiência.
O que faz do HIM Dub Festival tão especial no panorama de festivais de verão?
Tudo começa na localização. Aninhado numa praia fluvial rodeada de colinas, o festival aproveita as margens do rio Côa para criar espaços onde o som das baixarias do dub se mistura com o correr da água.
Quando o calor aperta, há quem alterne entre os palcos e mergulhos no rio, numa lógica que faz todo o sentido quando passamos dias inteiros no mesmo sítio.
À localização junta-se o factor humano, afinal de contas o mais importante, que ajuda a criar aquela sensação de aldeia temporária onde toda a gente se conhece e onde se dá um encontro entre gerações unidas pelo reggae e pela filosofia rastafari que permeia cada canto do recinto.

Como chegar e onde ficar
Para quem vem de Lisboa ou parte do Porto, a organização transfers desde a cidade Invicta facilitando a vida a quem vem de fora. De carro, a A25 é a via mais direta.
Para quem pretende utilizar o comboio, a estação ferroviária mais próxima fica na Guarda, a 35 quilómetros. De lá, é possível apanhar táxi ou autocarro até à aldeia.
Em reação ao alojamento, o bilhete do festival inclui acesso à zona de campismo com infraestruturas básicas. Há também opções de glamping para quem prefere um pouco mais de conforto e uma área dedicada a autocaravanas. Os mais exigentes podem procurar alojamento nas vilas vizinhas de Castelo Rodrigo ou na Guarda.
O que fazer nos arredores
Porque há quem sempre chegue mais cedo e parta mais tarde, o vale do Côa reserva-lhes um sem número de atividades e pontos de interesse, desde logo o Parque Arqueológico do Vale do Côa, classificado como Património Mundial da UNESCO, que guarda uma das maiores coleções de arte rupestre paleolítica ao ar livre da Europa.
Para quem prefere outras eras, Castelo Rodrigo, aldeia medieval no topo de uma colina, oferece vistas panorâmicas sobre a paisagem circundante e as ruínas do seu castelo fronteiriço que conta histórias de séculos de ocupação.
Pela sua centralidade na zona das Beiras, Rapoula do Côa tanto oferece ao visitante a oportunidade de visitar a Serra da Estrela que fica já ali ao lado e o Douro vinhateiro.

Bilhetes e informações práticas
Os bilhetes para a edição de 2026 já se encontram à venda através do site oficial do festival e dá acesso aos sete dias de festival, todos os palcos, workshops e zona de campismo. Há descontos para grupos e para quem compra mais cedo. Crianças têm entrada gratuita, refletindo o espírito familiar do evento.
De sublinhar que o HIM Dub Festival é para todas as idades e que é aconselhável a que os festivaleiros mas tragam protetor solar, chapéu, calçado confortável, uma garrafa reutilizável e roupa quente, uma vez que as noites podem ser frescas junto ao rio.
