Face ao aumento do custo de vida e a uma maior consciência ambiental, cada vez mais consumidores portugueses estão a apostar nas compras de produtos em segunda mão.
Apesar de ainda existirem alguns anticorpos em relação à compra de uma roupa ou produto tecnológico em segunda mão, algo que está muito relacionado com a memória da pobreza que marcou uma grande parte do século XX português, a verdade é que comprar em segunda mão ajuda a poupar centenas ou até mesmo milhares de euros ao longo de um ano.
Como é óbvio, comprar em segunda mão não significa adquirir tudo o, passe a expressão, “venha à rede”, já que nem todos os produtos compensam em termos de preço/qualidade e todas as plataformas de venda são seguras e de confiança.
Assim, para que comprar sem segunda mão seja, de facto, uma boa oportunidade de negócio, é altura de descobrir que produtos são os mais indicados, de que garantias poderá usufruir e onde encontrar as soluções mais seguras em Portugal.
Quando faz sentido compra em segunda mão?
Como sublinhamos, nem todos os produtos representam uma boa oportunidade de negócio. Para distinguir o trigo do joio, fará mais sentido comprar em segunda mão produtos que apresentem as seguintes caraterísticas:
- Grande desvalorização inicial;
- Longa vida útil;
- Baixo risco de segurança, quando usados corretamente.
Neste perfil podemos encontrar eletrodomésticos, tecnologia, mobiliário, livros, roupa e artigos de decoração, já que, mesmo quando usados, continuam a ser funcionais durante vários anos e permitem poupanças relevantes.
Por outro lado, produtos de segurança infantil, capacetes, cadeiras auto ou equipamentos elétricos muito antigos devem exigir, da sua parte, um cuidado redobrado.
Por isso, caso não lhe seja possível confirmar o histórico do produto, a sua integridade estrutural ou a conformidade com normas de segurança, o mais seguro é comprar novo.
Onde comprar em segunda mão com segurança?
Caso esteja a pensar em comprar um produto em segunda mão, saiba que, em Portugal, não faltam canais de venda com diferentes níveis de segurança, garantia e risco, razão para que a sua escolha dependa do tipo de produto e do grau de proteção que procura.
Entre os canais e lojas que lhe oferecem produtos em segunda mão com mais segurança encontramos:
- Grandes superfícies e retalhistas com programas de recondicionados
O primeiro dos canais seguros para efetuar compras em segunda mão é, sem dúvida, as grandes cadeias de distribuição, uma vez que oferecem fatura, garantia e apoio pós-venda. Em Portugal, destacam-se:
- Tecnologia e eletrodomésticos testados, com classificação por estado e garantia: – Worten Outlet; Worten Recondicionados e Worten Flippers;
- Tecnologia, pequenos eletrodomésticos, livros e produtos culturais, com enquadramento legal claro: FNAC Usados e Recondicionados; FNAC Restart e FNAC Outlet
- Linhas próprias de recondicionados, sobretudo em Tecnologia e artigos para o lar, com garantia associada: RESET Recondicionados e Outlet Radio Popular
- Tecnologia e artigos para a casa já verificados, integrados em iniciativas de reutilização: Espaços ReUse (em parceria com operadores de segunda mão)
- Mobiliário usado, artigos de exposição e devoluções em bom estado, com foco na economia circular: IKEA Preowned; Circular Hub; Área de Oportunidades
Além das grandes cadeias, também existem lojas dedicadas exclusivamente à venda de artigos em segunda mão e recondicionados, com triagem prévia, testes técnicos e garantia associada.
Entre a muita oferta disponível, destacamos:
- Cash Converters: tecnologia, gaming, ferramentas e, em algumas lojas, mobiliário usado, com verificação técnica e garantia.
- iServices: smartphones, tablets e computadores recondicionados, testados, classificados por estado e vendidos com garantia legal.
- Back Market: plataforma online de recondicionados, sobretudo em tecnologia e pequenos eletrodomésticos, com vendedores profissionais, garantia e prazos de devolução.
Projetos sociais e iniciativas de economia circular
Se, à poupança direta, quiser juntar um impacto social e ambiental, existem projetos de reutilização que deve conhecer.
Um deles é o da Betel Portugal que recolhe mobiliário e artigos domésticos, recupera quando necessário e disponibiliza-os a preços acessíveis, com forte componente solidária.
Outro deste projeto é o da Remar Portugal que, após uma triagem prévia, dá uma segunda vida a muitos produtos ainda funcionais.
Ainda que, nestes contextos, a garantia formal possa ser menor, a possibilidade de ver os artigos ao vivo e o impacto social positivo são fatores relevantes.
Por último, encontramos os marketplaces, um dos canais que mais consumidores utiliza em Portugal devido à sua enorme oferta.
Contudo, apesar da oferta ser muito generosa, o risco acaba por ser maior, uma vez que não existe garantia legal do vendedor e a proteção depende quase exclusivamente do cuidado do comprador.
Entre os marketplaces mais utilizados, destacam-se o OLX, o CustoJusto, o Facebook Marketplace, o Wallapop e a Vinted.
De forma a reduzir o risco quando compra produtos em segunda mão nestas plataformas, aconselhamos a que nunca faça pagamentos antecipados, desconfie de preços demasiado baixos, peça fotografias detalhadas e esclareça todas as dúvidas antes de efetuar com a compra.
Garantias e direitos do consumidor ao comprar em segunda mão
Afloramos, no ponto anterior, a questão das garantias e verificamos que, em plataformas online destinadas a particulares, essa não existe.
De acordo com a lei portuguesa (Decreto-Lei n.º 84/2021), quando compra a um profissional, mesmo um produto usado tem garantia legal, garantia essa que, por norma, é de 3 anos, mas que pode ser reduzida por acordo até um mínimo de 18 meses, desde que essa redução fique claramente indicada no contrato ou na fatura. Nunca pode ser eliminada.
No caso de bens recondicionados vendidos por profissionais, a lei equipara-os aos bens novos, isto é aplica-se a garantia legal de 3 anos.
Por sua vez, nas compras entre particulares, o Decreto-Lei n.º 84/2021 não se aplica, ou seja, não existe garantia legal do vendedor. O comprador apenas pode beneficiar da garantia original do fabricante ou do vendedor profissional inicial, se esta ainda estiver em vigor e se existir prova de compra.
Como avaliar um bom negócio e evitar burlas?
Para perceber se está diante de um bom negócio, recomendamos que avalie três aspetos:
- o produto, o vendedor e o enquadramento da venda.O Produto
No caso do produto, aconselhamos a que verifique o estado geral, sinais de desgaste, funcionamento e idade do produto e, sempre que possível, teste-o antes de comprar.
- O Vendedor
Neste ponto, é importante confirmar identidade, reputação e histórico, sobretudo em plataformas abertas e perceber se existe garantia, direito de devolução e documentação associada.
- O Enquadramento da Venda
Por fim, compare sempre preços com o mercado do novo, já que nem sempre a diferença compensa o risco.
