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Juros do crédito habitação até 2028: o que os analistas prevêem

Juros do crédito habitação

Comprar uma casa continua a não ser tarefa fácil, em grande medida devido ao alto preço das habitações e, claro, aos juros associados ao crédito habitação.

Apesar de ao longo dos últimos anos estas taxas terem sofrido aumentos sucessivos, nos meses mais recentes, o cenário tem-se invertido e originado alguma folga aos consumidores.

Contudo, dada a volatilidade do mercado, será que esta tendência é para manter? O que podem esperar os consumidores que estejam a planear comprar uma casa com auxílio do crédito habitação ou tenham um empréstimo a taxa variável/mista?

Antes, porém, de passarmos às previsões, vamos perceber o que vai esperar os consumidores nos meses mais próximos.

Prestação do crédito habitação baixa em fevereiro

Em fevereiro de 2026, a taxa EURIBOR a 3 e a 12 meses vai baixar, ainda que no primeiro caso seja residual e venha interromper quatro meses de aumentos consecutivos. Na prática, a taxa EURIBOR a 3 meses baixou 0,02 pontos percentuais levando o consumidor a poupar 0,49 cêntimos em cada prestação mensal.

Já no caso específico da taxa EURIBOR a 12 meses, esta baixou 0,024 pontos percentuais, o que vai implicar uma descida de até 23,43 euros por mês

Ao invés, os contratos de crédito habitação indexados à EURIBOR a seis meses, a taxa vai aumentar, o que significará uma subida da prestação mensal de até 6,68.

Em comparação com o mês de dezembro de 2025, a média mensal da Euribor a três meses baixou 0,02 pontos percentuais e 0,002 a seis meses. Quanto ao prazo a 12 meses, este desceu 0,024 pontos percentuais.

Feito o ponto da situação, chegamos à altura de perceber o que espera quem tem um crédito habitação nos próximos anos.

O que preveem os analistas?

Falar em analistas implica recorrermos à entidade que fixa as taxas de juro a nível europeu: o BCE (Banco Central Europeu).

De acordo com o inquérito do BCE, uma das ferramentas mais importantes para perceber como o mercado antecipa a política monetária, é esperado um período prolongado de estabilidade nos mercados que se deverá estender até 2028.

Na prática, isto vai significar que:

• Taxa de depósitos estabilizada nos 2% até 2028

Segundo os analistas do BCE, a taxa diretora, a mais relevante para perceber a evolução da EURIBOR, deverá ficar nos 2% até ao fim do primeiro trimestre de 2028. Já para o segundo trimestre desse ano, prevê-se que esta taxa suba para os 2,25%.

• Inflação entre 1,7% e 2,1%

A análise do BCE estima que a taxa de inflação se situe entre 1,7% e 2,1% ao longo dos próximos anos, tanto na medida geral como na inflação subjacente. Na prática, isto significa que a taxa de inflação deve deixar de representar um problema com um peso demasiado grande na economia, o que vem permitir a redução da pressão para novas subidas de juros.

• Crescimento estável, mas lento

O crescimento económico deverá se anémico durante os próximos dois anos, já que o BCE diz-nos que, na Zona Euro, este deverá estacionar entre os 0,1% e 0,4% por trimestre, sem grandes acelerações, mas também sem sinais de recessão prolongada.

• Taxa de desemprego estável e baixa

Ainda que exista a tentação de minar a situação de pleno emprego em que vivemos através de pacotes laborais que, na prática, promovem a precariedade e o aumento do desemprego, os analistas do BCE apontam para uma taxa desemprego próxima dos 6,3% na Zona Euro.

A confluência destes quatro fatores que acabamos de elencar acaba por criar um contexto favorável a que o BCE não mexa nas taxas de juro durante um período relativamente longo, o que trará uma maior previsibilidade a quem pretende contrair um crédito habitação.

Apesar de o BCE sublinhar que todas as opções estão em aberto, a conjuntura económica permite dizer com alguma segurança que o cenário mais provável será de estabilidade.

EURIBOR: previsões até 2028

Com base no inquérito do BCE e nas projeções do Conselho de Finanças Públicas (CFP), a EURIBOR a 3 meses entre 2026 e 2028 irá comportar-se da seguinte forma:

• Euribor a 3 meses (projeções BCE)

– 2026: abaixo dos 2% até final deste ano;

– 2027: sobe gradualmente;

– 2028: deverá atingir os 2,30% no final do ano.

 • Euribor a 3 meses (projeções CFP)

– 2026 e 2027: baixa para 1,9%;

– 2028: sobe para 2,1%;

– 2029: atinge os 2,3%.

 A maior parte das previsões utiliza a EURIBOR a 3 meses como referência, já que este é o indexante mais sensível às decisões do BCE e o que permite medições mais rigorosas ao longo do tempo.

Em termos de crédito habitação, o que é que isto significará?

Caso tenha um crédito habitação indexado à EURIBOR a 3, 6 ou 12 meses, estas previsões indicam que irá ter uma prestação mensal mais baixa em 2026 e 2027, especialmente para quem tem contratos a 3 meses.

Já no caso da EURIBOR a 6 e 12 meses, esta deverá ficar ligeiramente acima, mas também estável.

Esta estabilidade deverá prolongar-se até 2028, ano em que os analistas esperam que se façam sentir pequenas subidas, mas nada de muito abrupto, uma vez que a Euribor deverá subir apenas alguns décimos, acompanhando a ligeira subida prevista na taxa de depósitos do BCE

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