De acordo com várias estatísticas, em Portugal, cerca de 1,5 milhões de trabalhadores ganham o salário mínimo, ordenado que, não raras vezes, teima em não chegar ao fim do mês.
Apesar das dificuldades com que se deparam os trabalhadores que vivem com o salário mínimo, existe sempre um pequeno espaço de manobra para a poupança e, como veremos, para o investimento.
Não acredita? Então siga-nos.
Qual o montante necessário para começar a investir?
Muitas pessoas pensam, erroneamente, que é necessário um bom pé-de-meia para começar a investir.
Apesar de quanto mais investir mais poder ganhar, a verdade é que para começar a investir não é necessário ter milhares de euros de lado, já que existem, no mercado financeiro, soluções adaptadas à carteira e expetativas de cada um.
Dito isto, recomendamos que o valor mínimo para investir se situe entre os 25 e os 50 euros mensais. Apesar de parecer pouco, se fizer a conta a um ano, isto irá representar montante entre os 300 e os 600 euros.
Com o investimento certo e uma rentabilidade do investimento a rondar uma média de 3%, poderá obter uma boa maquia.
Recuemos, contudo, à questão que, afinal de contas, mais desafio levanta: como conseguir o dinheiro para começar a investir?
Estratégias para conseguir o dinheiro necessário para começar a investir
Com a remuneração base mínima a ser de 920 euros para 2026 e o custo de vida a encarecer dia após dia, não sobra muito espaço para a poupança, mas ainda assim é possível com, por exemplo, o recurso ao método dos 5%.
Na prática, o método dos 5% preconiza que, dos 818,80 euros de ordenado mínimo líquido (2026), retire 5%, ou seja, uma poupança mensal de 41 euros.
Além deste método, pondere reduzir a potência contratada da eletricidade, uma ação que lhe pode valer uma poupança mensal de até 30 euros, reduza o número de almoços fora de casa (leve a marmita para o trabalho, por exemplo), corte nas subscrições de streaming e começa a utilizar os transportes públicos com mais frequência.
Onde investir?
Depois da poupança, chegou a altura de investir, mas onde?
- Certificados de Aforro
Para quem o risco não é opção, os certificados de Aforro continuam a ser a melhor solução. O investimento mínimo nesta solução é de 100 euros, com subscrições adicionais a partir de 10 euros.
Além de ser seguro, já que o capital é assegurado pelo Estado, poderá resgatá-los após três meses. Quanto aos juros, esses são capitalizados trimestralmente, o que ajuda a que o seu dinheiro renda mais de forma progressiva.
- Certificados do Tesouro
Apesar de o investimento mínimo ser de 1000 euro, a rentabilidade e o retorno garantido fazem os certificados do Tesouro uma excelente opção para quem quer começar a investir de forma conservadora.
- Planos Poupança Reforma
Ainda que possam não ser a melhor opção para quem possa precisar do dinheiro antes da reforma, já que essa ação tem penalizações pesadas, os famosos PPR oferecem benefícios fiscais e a garantia de que o seu dinheiro está seguro e pode rentabilizar ao longo do tempo.
- Fundos de investimento e ETF de baixo investimento
Entramos, agora, no mundo dos investimentos sem retorno garantido com os fundos de investimento e EFT de baixo valor.
No caso dos fundos de investimento, existem corretoras que oferecem aplicações com entradas de 25 euros indexados aos mercados internacionais e com 2% de comissões anuais.
Já os EFT (Exchange Traded Funds), estes fundos cotados em bolsa podem ser adquiridos a partir de 10 euros em algumas plataformas de trading e podem garantir-lhe uma rentabilidade interessante em pouco tempo, embora sempre com risco associado.
Erros a evitar
Ainda que o investimento inicial seja baixo, a verdade é que ninguém quer perder o seu dinheiro, especialmente se isso advier de um erro seu.
Assim, evite começar a investir sem um fundo de emergência, ou seja, uma almofada de segurança equivalente a três meses de despesas para a eventualidade de um investimento correr mal.
Outro erro frequente é adiar o investimento. Por exemplo, se começar a investir 50 euros por mês aos 25 anos, vai acabar por ter mais dinheiro do que alguém que comece a investir 150 euros aos 50.
Por último, não dê um passo maior do que a perna. Não faltam publicações nas redes sociais a prometerem rentabilidades entre 20% e 50% por mês. Não acredite, é tudo fraudulento.
Quando aumentar o seu investimento?
É importante sublinhar que deve sempre ajustar as suas expectativas à realidade, ou seja, não gaste mais do que tem ou do que aquilo que estipulou para investimento.
Com isto “escrito na pedra”, se pretende aumentar o investimento, escolha uma altura em que recebe um aumento salarial, por exemplo.
Outra boa altura é no momento em que recebe os subsídios de férias e de Natal. Nessas alturas, invista, pelo menos, 30% ou 40% desses valores. Por exemplo, num subsídio de 920 euros, se investir 300, isso irá representar o equivalente a uma poupança mensal de 43 euros.
