Já não bastava a guerra entre Israel/EUA e Irão a fazerem disparar o preço do gasóleo, agora os consumidores também vão ter de se preocupar com as taxas máximas de juro a serem aplicadas aos contratos de crédito.
Na prática, isto vai fazer com que ao longo dos próximos três meses, o leasing com alívio e crédito para usados, bem como os cartões de crédito, vão sair mais caros ao bolso dos consumidores.
Mas que taxas máximas são estas de que estamos a falar e de que forma vão afetar os contratos de crédito, são temas para analisar a fundo já se seguida.
Atualização das taxas máximas resulta em aumentos
Como sublinhamos, os créditos mais caros existentes no mercado financeiro português vão voltar a subir no 2º trimestre de 2026, o que se vai consubstanciar, na prática, em cartões de crédito, linhas de crédito e descobertos bancários a passarem a ter um teto de juros mais elevado.
Em sentido contrário, modalidades como o leasing (crédito automóvel) podem registar uma ligeira descida.
Tudo isto se deve à atualização das taxas de juro máximas para o 2º semestre levadas a cabo pelo Banco de Portugal.
Estes limites definem a TAEG (Taxa Anual Efetiva Global) máxima que os bancos e instituições de crédito aplicam aos novos contratos de crédito ao consumo. A evolução, como se percebe, não será uniforme, isto é, ao passo que algumas modalidades de crédito ficam mais caras, outras há que estabilizam e outras que descem.
TAEG máximas sobem nos créditos à educação, saúde e transição energética
Os créditos pessoais destinados à educação, saúde, transição energética e locação financeira de equipamentos vão sofrer, no 2º trimestre, um agravamento passando a TAEG de 8,3% no 1.º trimestre para 8,5% no 2.º trimestre de 2026.
Apesar de ser uma subida muito ligeira, quem pretende financiar propinas ou cuidados de saúde, a diferença na prestação vai fazer-se sentir de forma pronunciada.
Quanto aos créditos para obras, lar e consolidado, a taxa vai manter-se inalterada, ou seja, manter-se-á nos 15,6%.
Crédito automóvel: leasing desce, a compra a prestações depende
No crédito automóvel, as notícias são distintas.
Ao passo que na locação financeira e no ALD de veículos novos a taxa máxima desce de 5,1% para 4,8% e nos usados, baixa de 6,5% para 6,3%, o que significa uma descida no valor da prestação mensal para quem troca de carro com frequência, na compra a prestações, as coisas são distintas:
Nos veículos novos, a taxa máxima recua de 10,9% para 10,8%, enquanto nos carros usados esta sobe de 14,1% para 14,2%.
Face a estas subidas e descidas, no 2º trimestre de 2026, quem pretende comprar um carro novo vai sentir um ligeiro alívio nas prestações mensais, ao passo que quem pretenda adquirir um usado terá de abrir cordões à bolsa.
Cartões, linhas de crédito e descoberto: as taxas voltam a subir nos produtos mais caros
Por sua vez, no mercado das soluções de crédito, linhas de crédito, contas correntes bancárias e facilidades de descoberto, a tendência é de subida com a taxa máxima a passar de 18,9% para 19%.
De igual modo, as ultrapassagens de crédito vão ver a TAN aumentar e passar para 19%, mais 0,1 pontos percentuais do que no 1º trimestre.
O que mudou face ao 1.º trimestre
Depois de tudo o que fomos falando ao longo dos parágrafos anteriores, pode-se dizer que o 2º trimestre vai trazer alguns ajustes que podem, dependendo da solução em causa, levar os consumidores a pagarem mais ou menos pelos seus créditos.
A subida mais visível e pesada acontece nos cartões de crédito, nos descobertos, nos créditos automóvel para a compra de usados a prestações e nos créditos pessoais ligados à educação e saúde. Caso existam atrasos no pagamento das prestações ou prazos longos, o custo final poderá tornar-se bastante pesado.
Já do lado das descidas, produtos de crédito como o leasing e o ALD, sobretudo em veículos novos, vão ficar mais baratos.
Em suma, as taxas de juro máximas para o 2º trimestre de 2026 podem trazer algum alívio em algumas soluções de crédito, ao passo que em outras o risco e o custo tornam-se mais elevados.
Como utilizar as taxas máximas para o 2.º trimestre 2026 para comparar diferentes propostas?
Importa dizer que estas taxas máximas não representam uma recomendação, são, isso sim, um limite legal, ainda que as instituições de crédito tenham margem para oferecerem produtos mais competitivos.
Isto é, no âmbito das novas taxas máximas, uma entidade pode oferecer uma proposta de crédito que fique abaixo do máximo, mas, mesmo assim, ser mais cara quando somadas as comissões, os seguros e outros encargos financeiros relacionados com o contrato de crédito.
Por isso, recomendamos que, aquando de uma simulação de crédito, olhe com particular atenção para o MTIC (Montante Total Imputado ao Consumidor), ou seja, o custo total do empréstimo, e não apenas para a prestação mensal.
Nos cartões de crédito e no descoberto, pelo maior risco que encerram, tente encurtar o prazo de pagamento para que pague menos juros e, assim, gaste menos.
