A maior parte da energia produzida em Portugal tem origem em fontes renováveis (cerca de 80%), o que coloca o nosso país na vanguarda mundial da “eletricidade verde”.
Dentro desta produção, o destaque vai, sem sombra de dúvidas, para a produção de energia solar através de painéis solares que, segundo as estatísticas oficiais, ultrapassou os 4,4 GW de capacidade instalada em abril de 2024, posicionando Portugal como um dos líderes europeus nesta matéria.
Apesar deste crescimento, a pergunta que muitos consumidores fazem é: serão os painéis solares um bom investimento ou apenas uma moda passageira?
É o que vamos ajudá-lo a perceber já se seguida. Comecemos pelo custo dos painéis solares.
Quanto custa a instalação de painéis solares em Portugal?
É importante começarmos por sublinhar que, o custo de instalação de painéis solares numa residência, irá depender, em grande medida, da potência instalada e da complexidade do projeto.
Levando isto em conta, os valores de mercado praticados em 2025 situavam-se em:
| Potência do sistema | Investimento aproximado | Perfil de consumo |
| 3 kWp | De 3500 euros a 4500 euros | Agregado pequeno (2-3 pessoas) |
| 5 kWp | De 5 mil a 6500 euros | Agregado médio (3-4 pessoas) |
| 8 kWp | De 7500 euros a 9500 euros | Agregado grande (+ 5 pessoas) |
Nota: estes valores médios incluem, entre outras despesas, os painéis fotovoltaicos, a instalação completa por profissionais acreditados para o efeito, as estruturas de fixação, os inversores, a cablagem e as proteções elétricas e a instalação completa por profissionais certificados.
Dado que o preço do watt instalado tem vindo a descer consistentemente, o investimento tem-se tornado mais leve ao longo dos anos.
Qual a poupança real e o ROI (Retorno do Investimento)?
A maioria dos consumidores interroga-se se a poupança gerada pela instalação de painéis fotovoltaicos compensa o investimento.
Tal, porém, vai depender de três variáveis: a produção de energia solar, a taxa de autoconsumo e o preço evitado da eletricidade da rede.
Vamos a um exemplo prático para uma residência em Lisboa com os seguintes valores:
– Sistema de 5 kWp instalado;
– Produção anual estimada: 7.000 kWh;
– Taxa de autoconsumo: 70% (4.900 kWh autoconsumidos);
– Preço evitado da eletricidade: 0,25€/kWh;
– Excedente injetado na rede: 30% (2.100 kWh);
Para estes valores, a poupança real ao cabo de um ano será de = 4.900 kWh × 0,25€ + 2.100 kWh × 0,09€ = 1.225€ + 189€ = 1414€
- Retorno sobre o Investimento
Com o exemplo que acabamos de dar em mente e considerando um investimento de 5500€ para o sistema de 5 kWp e uma poupança anual de 1414€, o retorno sobre o investimento realizado irá compensar ao fim de 3,9 anos, embora seja sempre necessário considerar, ainda, alguns fatores adicionais.
Entre estes, contam-se o aumento do preço da eletricidade, a valorização imobiliária produzida, a manutenção dos painéis e a sua vida útil que, regra geral, se situa entre os 30 e os 40 anos, apesar da garantia dos painéis seja de 25 anos.
Já contabilizados os 3,9 anos de retorno, num horizonte temporal de 25 anos, a poupança poderá superar os 30 mil euros.
Fatores que têm influência sobre a rentabilidade
O principal fator a afetar a rentabilidade que poderá obter da instalação de painéis fotovoltaicos tem a ver, como é óbvio, com a exposição solar.
Felizmente, Portugal apresenta valores médios de radiação solar entre 1.400 e 1.800 kWh/m²/ano, o que faz do nosso país um caso excepcional em toda a Europa.
Isto faz com que, por exemplo, um sistema de 1 kWp instalado no nosso país possa produzir entre 1.200 kWh (norte litoral) e 1.600 kWh (sul) por ano, valores superiores à média europeia de 900-1.100 kWh/kWp.
Além deste fator, há ainda que contar com:
- Perfil de consumo do agregado familiar
Quanto maior for o consumo (taxa de autoconsumo) durante as horas de sol, maior será a poupança.
- Orientação e inclinação do telhado
Urge dizer que a orientação ideal dos painéis no nosso país situa-se nos 30º e os 35º sul, inclinação que, por sua vez, tem influência sobre a rentabilidade da seguinte forma:
– Orientação sul. 100% de eficiência (produção máxima);
– Orientação sudeste/sudoeste. 90-95% de eficiência;
– Orientação este/oeste. 75-85% de eficiência;
– Orientação norte. 50-60% de eficiência (geralmente não recomendada).
- Maximização do autoconsumo
Como já referimos, o autoconsumo é um fator importante na contabilização da rentabilidade. Assim, para maximizar o autoconsumo e obter uma rentabilidade mais alta, pode e deve:
– Programar eletrodomésticos de alto consumo, tais como as máquinas de lavar e secar roupa, para funcionarem durante o dia;
– Carregar veículos elétricos durante as horas de maior produção solar;
– Utilizar sistemas de aquecimento de água por resistência elétrica durante o dia;
– Instalar baterias de armazenamento para consumo noturno.
Apoios disponíveis à instalação de painéis fotovoltaicos
De modo a incentivar a instalação de painéis fotovoltaicos em residências, o Estado oferece alguns incentivos e apoios. Entre eles, contam-se:
– Vale Eficiência: apoio financeiro de até 85% do investimento (varia em função dos escalões de IRS e dimensão do agregado) para a instalação de painéis fotovoltaicos em habitações permanentes.
– Taxa de IVA reduzida: a instalação de painéis solares na sua habitação vai permitir-lhe beneficiar de IVA a 6%;
– Regime de Unidade de Pequena Produção (UPAC): com a instalação de sistemas fotovoltaicos até 1MW, poderá injetar a energia excedentária na rede pública nas modalidades de autoconsumo em que não obterá remuneração, mas também não terá custos de licenciamento e de autoconsumo com venda à rede em que o excedente é vendido ao comercializador de último recurso (atualmente cerca de 0,09€/kWh), mas com custos de licenciamento associados.
Quando é que não compensa instalar painéis fotovoltaicos?
Como vimos, a instalação de sistemas fotovoltaicos em habitações pode vir a tornar-se vantajosa ao longo do tempo, porém, há casos onde isto não acontece, tais como:
– Habitações com consumos inferiores a 1.000 kWh/ano;
– Sombreamento excessivo;
– Telhados em mau estado;
– Restrições legais;
– Permanência incerta na habitação.
