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Crédito Consolidado sem hipoteca: como juntar cartões e créditos pessoais numa só prestação

Crédito Consolidado sem hipoteca

Ainda que os créditos pessoais sejam uma excelente ferramenta para concretizarmos um projeto ou adquirirmos algo de que realmente necessitamos, quando não são contratados com a racionalidade financeira exigida, o sobre-endividamento torna-se um problema real.

Além de colocar uma pressão insuportável sobre as nossas finanças pessoais, o sobre-endividamento retira-nos poder de compra e coloca em causa o cumprimento das nossas obrigações financeiras.

Chegados a este ponto, abrem-se três vias: renegociação do contrato de crédito; incumprimento que gera mais dívida e abre as portas a potenciais problemas judiciais; e a consolidação de créditos.

Hoje, vamos focar unicamente na consolidação de créditos, mais especificamente no crédito consolidado sem hipoteca.

O que é um crédito consolidado sem hipoteca?

Apesar de ser uma solução financeira de crédito, a consolidação de créditos tem um papel ligeiramente diferente de um crédito pessoal ou de um cartão de crédito, uma vez que a sua função primordial passa por liquidar todos os créditos que tenhamos contratados.

Ao fazermos a nossa consolidação de créditos, a instituição de crédito irá, como referimos, liquidar os nossos créditos anteriores ficando como nossa única credora. Nesse processo, ficamos com apenas uma prestação mensal, um prazo de reembolso maior e uma taxa de juro mais baixa.

Contudo, ao pedirmos um crédito consolidado que, por norma, nos oferece montantes de financiamento que vão dos 5 mil aos 75 mil euros e prazos entre 24 e 84 meses, poderemos solicitar um financiamento extra para utilizarmos onde e como bem entendermos.

Após a consolidarmos os créditos, a nossa taxa de esforço (Encargos financeiros com as prestações de crédito / Rendimento Líquido Total do Agregado x 100), taxa que mede o impacto das obrigações financeiras de crédito no nosso orçamento, pode ser significativamente reduzida, o que nos vai permitir aumentar o rendimento disponível.

Ao contrário do que acontece com um crédito consolidado com hipoteca onde o nosso imóvel serve de garantia de pagamento do empréstimo, no crédito consolidado sem hipoteca, não necessitamos de prestar qualquer garantia à instituição de crédito onde o contratualizarmos.

Importa, ainda, referir que não existe a obrigatoriedade de fazermos um crédito consolidado no banco onde temos os outros créditos, ou seja, poderá ser uma outra instituição a ficar como credora do nosso crédito consolidado.

Como consolidar créditos: guia passo a passo

Caso esteja a ser mais difícil cumprirmos com as nossas obrigações financeiras de crédito e, nesse sentido, resolvemos apostar numa consolidação de créditos, a primeira coisa a fazermos é calcularmos a nossa taxa de esforço.

1º Passo: Calcular a Taxa de Esforço

Imaginemos que, todos os meses, levamos para casa um ordenado de 1500 euros, bolo do qual temos de abdicar de uma fatia de 800 euros destinados ao pagamento das prestações mensais de dois créditos.

Para estes valores, a nossa taxa de esforço será de:

Taxa de Esforço: Encargos financeiros com as prestações de crédito / Rendimento Líquido Total do Agregado x 100

A sua Taxa de Esforço: 800/1500 x 100 = 53%

Uma taxa de esforço de 53% significa que, na prática, apenas poderemos utilizar 47% do nosso orçamento para fazermos compras no supermercado, pagarmos contas de eletricidade, gás e água ou metermos combustível no carro.

2º Passo: pesquisa e comparação de propostas de crédito consolidado

Com esta taxa em mente, partimos para a consolidação de créditos pegando no nosso smartphone e pesquisando por créditos consolidados online, já que é uma forma mais simples e rápida de não só compararmos diferentes propostas, mas também de contratualizarmos um crédito consolidado.

Vamos imaginar que entramos num destes simuladores de crédito consolidado online e, face ao valor de crédito que temos em dívida, decidimos pedir 15 mil euros que gostaríamos de reembolsar em 84 meses, prazo máximo permitido pelo Banco de Portugal.

Caso, por exemplo, a TAEG e a TAN oferecidas por essa instituição sejam de, respetivamente, 10,0% e 8,650%, o valor da prestação mensal será de 238,68 euros.

Com este valor de prestação, a nossa nova taxa de esforço será de:

Nova Taxa de Esforço com o Crédito Consolidado sem hipoteca: 238,68/1500 x 100 = 15,9%

Como vemos, com um crédito consolidado podemos baixar em cerca de 35% a nossa taxa de esforço e poupar mais de 500 euros em prestações mensais.

Se não quisermos ou não pudermos ter o trabalho de fazer tantas simulações e comparações, podemos pedir ajuda a intermediários de crédito que, com base nas nossas necessidades e possibilidades, nos vão dar uma ajuda neste processo de comparação e simulação, bem como até na contratação.

3º Passo: Contratação

Caso encontremos o crédito consolidado sem hipoteca que se enquadre nas nossas necessidades, a primeira coisa a fazer é pedir a sua contratação e a FINE (Ficha de Informação Normalizada Europeia), documento onde devem constar todos os detalhes ligados à crédito que pretende contratar.

Depois de ler com atenção a FINE, é altura de reunir os documentos necessários que, regra geral, passam por:

  • Documento de identificação;
  • Comprovativo de morada;
  • IBAN de um dos titulares do contrato; 
  • Três últimos recibos de vencimento/ Comprovativo de pensão; 
  • Última declaração IRS (modelo 3);
  • Nota de liquidação do IRS;
  • Mapa de responsabilidades do Banco de Portugal.

Uma vez entregues os documentos, a instituição financeira irá, então, analisar as nossas condições financeiras e, em caso de resposta positiva, vai liquidar os nossos créditos anteriores e tornar-se, assim, o nosso único credor.

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