Ao contrário do que foi vendido aos portugueses aquando da liberalização do mercado energético em Portugal, a eletricidade está cada vez mais cara, mesmo quando o nosso país produz mais do que a eletricidade de que necessita.
É neste contexto que a necessidade de poupança se acentua, especialmente porque não existe a ideia de se alterar este estado de coisas através de, por exemplo, a regulação dos preços pelo Estado.
Neste sentido, além de desligar os eletrodomésticos que não está a utilizar ou substituir as lâmpadas de filamento por lâmpadas LED, há outra forma de reduzir o valor da fatura mensal de eletricidade: a potência contratada.
Potência contratada
Quando temos uma potência contratada abaixo das necessidades energéticas da nossa casa, isso será extremamente fácil de detetar, já que o quadro irá abaixo frequentemente. Na prática, isto significa que a potência usada em simultâneo excede várias vezes o limite contratado.
Porém, quando falamos de potência contratada acima do que necessitamos, o assunto é mais complexo, uma vez que o quadro não sofre interrupções.
Por exemplo, caso o pico de potência seja de 4,8 kVA, o quadro vai aguentar que tenhamos uma potência instalada de 5,75 kVA, de 6,9 kVA ou de 10,35 kVA.
Contudo, estas duas últimas potências estão muito acima do que necessitamos, o que significa que a eletricidade estará a ser debitada, apesar de não ser utilizada, algo que se vai refletir numa fatura mensal elevada.
Como contrariar tudo isto? É o que vamos ficar a saber de seguida.
Poupar na fatura de eletricidade: escolher a potência contratada com base em dados reais
A eletricidade de que vamos necessitar dependerá, em grande medida, do número e capacidade dos eletrodomésticos que teremos em casa. Por exemplo, máquinas de lavar roupa, frigoríficos e fornos, são aqueles que mais gastam e, quando se tem mais do que um de cada a funcionar em simultâneo, a potência contratada terá de ser maior.
Assim, para que a potência contratada esteja em linha com as nossas reais necessidades energéticas, devemos recorrer ao simulador da Entidade Reguladora dos Serviços Energéticos (ERSE) para nos ajudar a fazer as contas.
Se já tivermos um contador inteligente, então basta aceder ao balcão digital da E-REDES para ficarmos a saber se a potência que temos contratada é, ou não, a ideal.
Como utilizar o balcão digital da E-REDES?
O processo é extremamente simples.
Para aceder ao balcão digital do site da E-REDES, deve criar uma conta se ainda não tiver uma. Para tal, utilize o mesmo NIF que tem associado ao contrato que assinou com o fornecedor de eletricidade. O sistema fará a sincronização e terá acesso imediato à sua área pessoal.
A partir daqui, em apenas cinco cliques ficará a saber se a potência que tem contratada é a ideal para as suas necessidades energéticas.
Assim, para ter acesso ao seu histórico dos picos de potência que atingiu desde que tem eletricidade em casa (ou desde que instalou um contador inteligente, se posterior), mesmo que pelo meio tenha havido trocas de comercializador, só terá de clicar nas seguintes opções:
1º – Os meus locais;
2º – Produção, consumos e potências;
3º – Consultar histórico;
4º – Escolher o local que quer consultar (se só tem contrato numa casa, só vai aparecer um local);
5º – Potência máxima tomada mensal.
A partir deste momento, terá acesso a um gráfico que lhe vai mostrar a potência contratada e os picos de potência que atingiu em cada mês, ou seja, o valor máximo que a soma dos aparelhos ligados em simultâneo atingiu naquele mês.
Por defeito, o gráfico mostra os últimos seis meses concluídos, mas também poderá ter acesso ao mês atual (com o registo até ao momento) e meses anteriores. Com estes dados em mãos, terá os dados essenciais para analisar e decidir.
No fim do processo, reduzir a potência contratada pode ajudá-lo a baixar o valor da fatura de eletricidade em quase 30 euros por mês.
Como decidir se devo alterar a potência contratada?
Quanto mais meses analisar, mais robusta será a informação de que irá dispor.
Por exemplo, a sua casa tem uma potência contratada de 5,75 kVA e, num período de nove meses, registou os seguintes picos de potência:
Mês 1: 4,15 kVA
Mês 2: 6,75 kVA
Mês 3: 4,83 kVA
Mês 4: 5,23 kVA
Mês 5: 5,14 kVA
Mês 6: 4,20 kVA
Mês 7: 3,75 kVA
Mês 8: 4,95 kVA
Mês 9: 4,78 kVA
Como vemos, apenas no segundo mês o pico de potência excedeu a potência contratada, o que pode significar uma situação de uso simultâneo de equipamentos esporádica.
Para analisar os outros oito meses temos de considerar que a potência contratada que vem logo abaixo da de 5,75 kVA é a de 4,6 kVA.
Neste caso, em apenas três meses o pico de potência ficou abaixo desses 4,6 kVA, pelo que parece justificar-se a manutenção da potência instalada nos 5,75 kVA.
Ao contrário, se a potência contratada fosse de 6,9 kVA, então justificava-se reduzir para 5,75 kVA.
Como mudar a potência contratada?
Se, depois de analisar os dados, chegar à conclusão de que quer reduzir a potência contratada de sua casa, basta contactar o seu comercializador a informar que quer fazê-lo e indicar o escalão pretendido.
Caso tenha um contador inteligente, a mudança é feita remotamente, caso não o tenha, a mudança terá de ser realizada por um técnico da rede de distribuição enviado pelo comercializador.
