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Inteligência artificial generativa: o que os gestores portugueses precisam de saber

Inteligência artificial generativa

Enquanto os data centers não fazem aumentar a fatura da eletricidade e reduzem a água potável disponível, a Inteligência Artificial Generativa continua a fazer o seu caminho junto não só de cidadãos, como também de empresas.

Em Portugal não é diferente e, como veremos já de seguida, os gestores portugueses estão, cada vez mais, a utilizar esta tecnologia na otimização dos processos ligados às suas organizações.

Antes, contudo, de entrarmos a fundo na questão da ligação entre gestão e IA Generativa, vejamos em que consiste esta tecnologia.

O que é e como funciona a IA generativa?

Ao passo que a IA dita convencional utiliza dados de terceiros para identificar padrões e oferecer uma resposta às solicitações dos seus utilizadores, a IA Generativa baseia-se em deep learning para, através de treino e aprendizagem automática, criar novos conteúdos, sejam eles texto, imagem ou até som.

Ao invés de seguir regras definidas, a IA Generativa estuda a estrutura básica dos dados de treino e a tecnologia machine learning para criar novas saídas que correspondem ao que aprendeu.

Em traços gerais, eis o que a Inteligência Artificial Generativa faz:

  • Cria novos conteúdos, como texto, imagens e vídeos, com base em padrões nos dados existentes;
  • Aprende estruturas complexas através da análise de grandes conjuntos de dados para compreender as relações entre os dados;
  • Adapta-se e melhora ao longo do tempo, aprendendo continuamente com novos dados, tornando os seus resultados mais refinados.

Tipos de IA Generativa

Atualmente, existem três tipos de Inteligência Artificial Generativa:

Redes adversárias generativas (GAN)

Os GAN subdividem-se em duas redes, um gerador e um discriminador, que competem entre si. Enquanto o gerador cria dados falsos, o discriminador, por sua vez, avalia-os em relação aos dados reais. O objetivo é que o gerador produza dados indistinguíveis dos dados reais.

Dentro dos GAN encontramos, por exemplo, a tecnologia deepfake, a síntese de imagem, algo muito utilizado na criação de imagens de alta resolução no design de produtos ou criação de personagens em jogos de vídeo, e as ferramentas colaborativas de arte.

Codificadores automáticos de variação (VAE)

Os VAE são modelos que reduzem o tamanho dos dados, mantendo as suas partes importantes. Em seguida, elaboram novos dados com base nessa representação reduzida.

Regra geral, as VAE são utilizadas na compressão de dados, na melhoria da qualidade de uma imagem e na imagiologia médica oferecendo, neste ponto, diagnósticos mais assertivos.

Transformadores

Os transformadores são uma tecnologia de processamento de linguagem natural fundamentais para modelos de linguagem como GPT-3. Estes modelos geram texto prevendo a palavra seguinte numa frase com base no contexto anterior.

Podemos encontrar exemplos de Transformadores na geração de conteúdo criativo em modelos como GPT-3, na tradução e nos chatbots.

A Gestão e a IA Generativa

Segundo um estudo efetuado pela AESE Business School em parceria com o Instituto Superior Técnico intitulado “Os Desafios dos Gestores na Adoção da Inteligência Artificial Generativa”, cerca de 70% dos gestores portugueses utilizam, regularmente, a IA Generativa na sua rotina profissional.

Além disto, o estudo mostra que a integração desta tecnologia na rotina profissional não se restringe ao universo das grandes tecnológicas, mas já se tornou fundamental em setores como finanças, educação, TIC e serviços profissionais.

Utilização da IA Generativa no setor profissional em Portugal

Tarefas como a pesquisa de informação (56%), a escrita (46%) e a sumarização de textos (43%), são indicadas pelo estudo em que nos estamos a basear como as que mais sofrem a influência da IA Generativa.

Contudo, apesar disto, o estudo alerta para uma lacuna importante: o uso intensivo não é sinónimo de aplicação estratégica e levanta a questão de como transformar estas interações em valor real para as organizações.

Em empresas de grande dimensão, a inteligência artificial já faz parte do ecossistema digital em grande parte devido aos maiores recursos, maior maturidade tecnológica e equipas preparadas para explorar ferramentas como o ChatGPT ou o Copilot.

Mesmo em pequenas e médias empresas e, apesar dos menores recursos de que dispõe, já se nota, segundo o estudo, uma interessante integração da IA Generativa, nomeadamente através da utilização de versões gratuitas.

Já em setores onde o grau de digitalização é menor, como a agricultura, a restauração ou a construção civil, o grande desafio passa por investir em formação prática e por mostrar, com exemplos concretos, como a tecnologia pode fazer a diferença.

ChatGPT é a ferramenta IA preferida

De acordo com o estudo da AESE Business School e do Técnico, é sem surpresa que, entre as ferramentas de inteligência artificial preferidas dos gestores portugueses, o ChatGPT é a ferramenta mais utilizada (91%), seguida do Copilot (55%) e do Gemini (27%).

Além de serem de fácil utilização e integração, estas ferramentas ajudam a escrever relatórios, a organizar ideias, a responder a e-mails mais complexos e até a simular cenários de decisão.

Conclusão

Como referimos, o grande desafio de gestores e organizações, no âmbito da IA Generativa, passa por integrar esta ferramenta nos processos centrais das organizações.

Mais do que, simplesmente, servir de apoio a tarefas individuais, a IA poderá ajudar as empresas a redefinirem fluxos de trabalho, melhorarem modelos de decisão e até influenciarem a cultura de inovação dentro das empresas.

No fim, o estudo deixa uma recomendação clara: as organizações devem procurar investir em formação contínua, fomentar uma cultura de experimentação e aplicar a tecnologia a casos de uso concretos, alinhados com os desafios específicos de cada equipa.

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