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Absentismo laboral: porque acontece e como identificá-lo

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O absentismo laboral está a aumentar na União Europeia, especialmente em França, Espanha e Portugal.

No que diz respeito ao nosso país, os dados apontam para uma tendência crescente na última década com a taxa de absentismo laboral atingido em 2024 (últimos números conhecidos) aos 10,6%, 0,4% acima da média da União Europeia.

Dentro deste fenómeno cabem, entre outros, os dias de baixa por doença e as ausências não justificadas e pode manifestar-se de diversas formas e ter na sua origem múltiplas causas.

O que é o absentismo laboral?

Na prática, o absentismo laboral corresponde à ausência de um trabalhador no seu local de trabalho no horário de expediente assinalado no contrato de trabalho de forma justificada ou injustificada ou no não desempenho das funções que lhe estavam atribuídas, o também chamado quiet quitting.

Este fenómeno que tem um impacto significativo na produtividade, eficiência e rentabilidade da empresa, entre outros motivos, manifesta-se através de faltas por doença, acidentes de trabalho, licenças remuneradas e férias.

Dentro do absentismo laboral, podemos discriminar quatro tipos:

1 – Ausência justificada

Trata-se de uma ausência que pode estar prevista pela empresa ou pelo trabalhador, tal como uma consulta médica ou uma licença de maternidade/paternidade.

Não é necessário saber, de forma antecipada, a data especifica em que a ausência terá lugar.

2 – Ausência injustificada

Já a ausência injustificada trata-se de uma falta ao trabalho, injustificada ou atrasos, devido, por exemplo, ao abandono do local de trabalho sem autorização da empresa ou participação numa greve ou manifestação sem nota prévia à empresa.

3 – Absentismo presencial

Este tipo de absentismo ocorre no local de trabalho e carateriza-se pelo desempenho de funções ou atividades não atribuídas pela empresa ou proibidas, como fazer telefonemas pessoais regularmente, pausas para café ou utilizar os equipamentos da empresa para fins pessoais.

4 – Ausência emocional

Este último tipo é extremamente controverso, uma vez que se carateriza pela desconexão emocional do trabalhador, algo extremamente subjetivo.

Isto significa, na prática, que o trabalhador pode estar fisicamente no local de trabalho, mas não apresenta resultados em termos de produtividade devido, entre outros, à perda de confiança na empresa ou no projeto, problemas questões pessoais ou psicológicas.

Causas do absentismo laboral

Como sublinhamos anteriormente, existem uma sem número de causas na origem do absentismo laboral.

Entre as principais encontram-se:

  • Baixos salários/falta de reconhecimento

Os baixos salários praticados pela maioria das empresas portuguesas e/ou a falta de reconhecimento (progressão profissional e salarial), estão na origem da maioria dos fenómenos de absentismo laboral em Portugal.

Seguindo o mote “salário mínimo, trabalho mínimo”, os trabalhadores sentem que o seu esforço em prol de uma empresa que não os valoriza não vale a pena levando-os ao absentismo, nomeadamente, o presencial.

  • Falta de condições laborais

As constantes revisões da lei laboral têm levado a uma perda significativos de direitos dos trabalhadores e a uma maior precarização do trabalho, o que origina ansiedade, depressões e conflitos laborais.

  • Acidentes de trabalho

Entre os acidentes de trabalho, contam-se os acidentes “in itinere” (durante o trajeto de ida e volta para o trabalho) ou durante o trabalho (por exemplo, entorses, fratura de ossos, pancadas, etc.) que levam, naturalmente, ao absentismo.

  • Doenças profissionais

A falta de literacia e preocupação das entidades patronais com as doenças do foro profissional, originam lesões que não só obrigam o trabalhador a ausências prolongadas, como até a mazelas para o resto da vida que reduzem a sua qualidade de vida.

  • Doença e acidente de origem não profissional/laboral

Faltas devido a doenças comuns, como a gripe, ou crónicas, ou seja, não associadas ao trabalho.

  • Licenças e permissões legais

Casos em que é dispensada ao trabalhador uma licença especial, como a licença de paternidade ou maternidade.

  • Gravidez de risco ou período de amamentação.

Dado que implicam a perda de horas efetivas de produção e ainda que justificadas. A gravidez de risco ou o período de amamentação estão incluídas nas causas de absentismo laboral.

  • Ausências não autorizadas

Por fim, ausências injustificadas ou a recorrente falta de pontualidade do trabalhador também se incluem entre as causas de absentismo laboral. No caso do teletrabalho, isto inclui, igualmente, a indisponibilidade durante o horário de trabalho e as faltas repetidas.

Como reduzir o absentismo laboral?

Reduzir o absentismo laboral é uma via com vários caminhos sendo que um deles não é propriamente da responsabilidade do trabalhador e da empresa, já que cabe ao governo e ao parlamento legislarem em prol de um trabalho com mais direitos e maior preocupação com o bem-estar dos trabalhadores.

Colocando de lado esta situação, há outros caminhos e soluções a adotar para que o absentismo não coloque em causa a produtividade e competitividade da empresa, bem como garanta um ambiente de trabalho mais saudável.

Assim, entre outras, as empresas podem implementar as seguintes ações:

  • Estratégias de motivação

Para garantir trabalhadores mais motivados e produtivos, a empresa deverá dar, por exemplo, liberdade aos trabalhadores para gerirem as suas tarefas, implementar programas de reconhecimento de competências acompanhadas de gratificações financeiras, oferecer planos de carreira e promover uma comunicação aberta e transparente.

  • Flexibilizar a atividade laboral e fomentar o equilíbrio entre a vida profissional e pessoal

Sempre que possível e exequível, a empresa deve promover o teletrabalho com uma atenção especial ao direito a desligar por parte do trabalhador e implementar uma política de horários flexíveis que permita uma melhor conciliação entre a vida pessoal e profissional, sobretudo de trabalhadores com agregados familiares com filhos ou outros dependentes.

  • Formação

Minimizar o absentismo laboral poderá passar, igualmente, por oferecer programas de formação aos trabalhadores, o que se traduzirá na aquisição de mais competências para que estes possam desempenhar as suas tarefas de forma mais eficiente.

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