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Transferência de Crédito Habitação entre bancos: vale a pena com as taxas atuais?

Transferência de Crédito Habitação

Quem possui um crédito habitação e pretende poupar algum dinheiro em taxas e comissões, tem ao seu dispor algumas estratégias, entre elas a transferência do crédito para um banco que ofereça juros e spreads mais baixos.

Porém, há um nome que pode fazer ruir estas ideias de poupança que dá pelo nome de EURIBOR (Euro Interbank Offered Rate) e corresponde à taxa de juro média que os principais bancos da zona euro cobram entre si quando emprestam dinheiro uns aos outros no mercado interbancário.

Na prática, a EURIBOR acaba por servir de base para o cálculo dos juros de variados produtos financeiros, entre os quais se encontra o crédito habitação.

EURIBOR vai continuar a subir até final de 2026

Como anunciado pelo BCE (Banco Central Europeu) no início do ano, a taxa EURIBOR subiu no passado mês de julho e prevê-se que esta não seja o último aumento até final do ano.

Isto acabou por gerar um agravamento das prestações já neste mês de agosto com o primeiro pagamento do novo valor a partir de setembro.

No prazo de três meses, a taxa de julho subiu 0,85 pontos percentuais em relação à de junho, para 2,425%, ao passo que a EURIBOR a 6 e 12 meses sofreram, respetivamente, aumentos de 0,051 e 0,057 pontos percentuais, para se fixarem nos 2,647% e nos 2,855%.

Face a este aumento, a prestação mensal de um crédito habitação poderá ficar mais cara até 80 euros, o que torna a procura de alternativas mais baratas de extrema importância e até urgência.

E é aqui que entra a transferência de crédito habitação.

O que é e como funciona a Transferência de Crédito Habitação?

Tal como o nome indica, a transferência de crédito habitação é um processo em que se dá a mudança do seu crédito de um banco (mutante) para outro com condições que lhe sejam mais favoráveis.

Na prática, o novo banco vai liquidar o capital em dívida junto do seu atual mutante e passar a ser ele a receber a sua prestação mensal mediante o estabelecimento de um novo contrato que preveja condições de financiamento mais favoráveis, nomeadamente no que diz respeito às taxas de juro.

Este processo poderá não ser, contudo, isento de custos.

Apesar de, por regra, as instituições assumirem os custos do cancelamento da hipoteca e da sua transferência, poderá ser-lhe pedido o pagamento da comissão de amortização antecipada do crédito atual.

Em 2026, o limite legal é:

  • 0,5% do capital reembolsado, em créditos com taxa variável;
  • 2% do capital reembolsado, em créditos com taxa fixa.

A isto poderá somar.se, igualmente, as despesas administrativas junto de conservatórias, cartórios notariais ou da administração fiscal.

Já no que toca à transferência de crédito habitação propriamente dita, o processo é o seguinte:

1º Passo: Analise o spread, o tipo de taxa, o prazo remanescente, a prestação e os produtos associados do seu contrato atual;

2º Passo: Faça simulações aproveitando os simuladores online existentes para comparar a TAEG, o MTIC e as condições dos seguros associados ao crédito habitação;

3º Passo: Procure ajuda de um intermediário de crédito para o ajudar a melhor proposta;

4º Passo: Analise a ficha FINE de cada proposta;

5º Passo: Avance com a documentação. Caberá ao novo mutuante a liquidação do crédito atual e da constituição da nova hipoteca.

Este processo demora, por norma, entre 4 a 8 semanas, desde o primeiro contacto até à escritura.

Transferência de Crédito Habitação: compensa face às taxas atuais?

Face ao aumento da EURIBOR, a resposta imediata é sim, mas para que tal aconteça de facto, será essencial fazer uma análise profunda do mercado, realizar simulações e, se pretender, pedir ajuda a um intermediário de crédito, já que todos os bancos vão buscar dinheiro para lhe emprestar ao mesmo sítio.

Além das necessárias simulações, é importante analisar se não compensa manter o crédito habitação no seu atual mutante, mas mudar o tipo de taxa a que o seu contrato está sujeito.

Por exemplo, se tem uma taxa mista ou variável, poderá compensar mais passar a uma taxa fixa ou vice-versa. No caso das taxas de 2026 e a previsão do seu aumento, a passagem para uma taxa fixa será a melhor opção.

Poderá, igualmente, renegociar o seu contrato no sentido de alargar o prazo de pagamento pois, desta forma, a prestação mensal vai baixar. Contudo, atenção, o alargamento do prazo significará aumentar o total de juros pagos ao longo do crédito.

Por último, aproveite para renegociar os produtos associados ao seu crédito habitação, nomeadamente os seguros de vida e multirriscos.

Ao abrigo do Decreto-Lei n.º 222/2009, poderá transferir os seguros associados para uma outra seguradora desde que, claro, esta cumpra as coberturas mínimas exigidas. De referir, que, algumas instituições financeiras,  oferecem um spread mais baixo em troca de manter estes produtos com eles.

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