Ao longo dos últimos anos, as hortas voltaram a estar na moda. Das hortas comunitárias que, além de gerarem coesão social e solidariedade, às hortas caseiras, os portugueses têm despertado para a importância de cultivarem os seus alimentos, uma parte pelo menos.
A inflação e a ganância das grandes empresas de distribuição alimentar, têm levado a um aumento desproporcionado do preço dos produtos essenciais. Se, a isto, juntarmos a vontade de as pessoas se reconectarem com a Natureza e deixarem os ecrãs de lado, cria-se um caldo de cultura onde as hortas, grandes ou mais pequenas, se tornam mais apelativas.
Apesar de, aparentemente, ser relativamente simples criar uma horta em casa, é necessário tomar atenção a alguns fatores para que o seu canteiro floresça forte e saudável.
Fazer uma horta em casa: guia passo a passo
Se quiser passar a comer aquilo que planta e passar umas horas agradáveis, eis o que precisa de fazer para dar vida à sua horta caseira:
1º Passo: Escolher a localização certa
Há plantas que não necessitam de tanta exposição ao sol e outras que só se vão desenvolver se estiverem viradas para o astro rei várias horas por dia, razão para que a primeira coisa a fazer para levantar a sua horta caseira passe por escolher o local certo para a plantar.
Por exemplo, se a intenção é criar uma pequena horta dentro de casa, esta deverá estar colocada junto a uma janela ou na varanda e, de preferência, virada a Sul onde a incidência de luz é maior.
Caso a janela ou a varanda esteja virada a Este ou Oeste, então deve optar por colocar a horta no lado Norte desses espaços para que beneficiem da luz predominante de Sul.
Se a ideia é transformar um terraço ou um pequeno espaço exterior em horta, a questão da exposição solar torna-se menos premente porque, à partida, a exposição solar nesses espaços é maior ao longo do dia.
2º Passo: Escolher e preparar os recipientes
No momento de escolher os recipientes para colocar as suas plantas, deve ter em atenção dois elementos: a profundidade das raízes das plantas que condiciona a dimensão do recipiente e a drenagem que condiciona a escolha dos materiais e camadas no recipiente.
Quanto à dimensão, os recipientes escolhidos devem ter, no mínimo, 20/25 cm de altura, ao passo que no item drenagem, será essencial colocar no fundo do recipiente uma camada drenante de bolas de argila expandida (leca) com cerca de 3 a 5 cm de altura.
Além da camada drenante, é essencial que fure o fundo dos recipientes para que a água em excesso se escoe mais rapidamente.
3º Passo: Solo e Substratos
O solo e os substratos são, literalmente, a base de qualquer horta digna desse nome. Para encher os seus recipientes, pode utilizar um substrato (certificado para a produção biológica) que se compra em lojas da especialidade e misturar com elementos de origem mineral, nomeadamente argila que ajuda a reter água e nutrientes e areia que contribui para o arejamento.
4º Passo: Plantas certas para o espaço disponível
Uma horta pode, e deve, comportar uma grande diversidade de plantas plantas hortícolas, plantas aromáticas e também flores comestíveis.
O essencial, contudo, é adaptar a plantas que pretende utilizar ao espaço, à profundidade dos recipientes e à exposição solar.
5º Passo: Perceba como funciona o ciclo de vida das plantas
Para atuar da melhor forma sobre a sua horta e permitir-lhe crescer de forma saudável, é importante estar atento ao seu ciclo de vida.
Depois da germinação da semente, segue-se a fase vegetativa onde se desenvolvem as raízes, caule e folhas e, posteriormente, a fase reprodutiva, as plantas lançam as suas flores e, após a fecundação (pólen + óvulo), se transforma em frutos onde estão as sementes.
Por último, vai dar-se a fase de senescência, isto é, a planta morre e liberta as suas sementes para nova germinação.
Deste modo, e de acordo com o que pretende para a sua horta em casa, poderá optar por culturas mais rápidas, de ciclo curto, como a alface, ou culturas mais lentas, como é o caso do tomate.
De referir que, ao longo do ano, poderá cultivar, pelo menos, menos duas vezes: no período de Outono/Inverno com as culturas que resistem ao frio, como a couve, o nabo, a nabiça e a ervilha; e no período de Primavera/Verão com as que necessitam de calor como o tomate, a curgete, ou o feijão-verde.
Existem, ainda, culturas de Primavera/Verão que podem ser cultivadas no período de Outono/Inverno, mas só se se estiverem dentro de casa ou na marquise, com aquecimento artificial e luz suficiente.
6º Passo: Não se esqueça da fertilização das plantas
Tal como acontece com os seres humanos, as plantas precisam de ser alimentadas.
Para isso, fertilize o solo/substrato com um composto bem maturado e/ou um adubo orgânico (certificados para a produção biológica). Aplique este composto na superfície do solo/substrato e na quantidade (Kg/m2) recomendada.
Por exemplo, a fertilização pode ser feita 4 vezes por ano, duas vezes para as culturas de Primavera/Verão, uma primeira quando se planta e uma segunda um mês depois e novamente duas vezes para as culturas de Outono/Inverno, uma primeira quando se planta e a segunda 1 mês depois.
7º Passo: Regue as plantas com cuidado para evitar o encharcamento
A rega é essencial, mas deve levar em conta as necessidades específicas de cada planta e ter cuidado para não encharcar as suas raízes.
Aplique a água no solo/substrato, evitando molhar as folhas das plantas, dia sim, dia não, se estiver calor e duas vezes por semana, se estiver frio.
Se quiser facilitar este processo, poderá optar por sistema de rega gota-a-gota com temporizador para automatizar a rega.
No caso de um vaso com prato que não seja mais alto do que a camada drenante de bolas de argila expandida (leca), depois do substrato estar totalmente hidratado, poderá fazer a rega por sub-irrigação, ou seja, a água no prato sobe por capilaridade e mantém o substrato sempre húmido.
