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Calçado barefoot: o que é e quais os seus benefícios

Calçado barefoot

O mundo contemporâneo português é pródigo na utilização de anglicismos e nós temos mais um para a lista: barefoot, ou melhor, calçado barefoot.

Sabe o que é? Não? Não se preocupe, ao longo deste artigo, vamos explorar o maravilhoso mundo do estético calçado barefoot, incluindo os seus riscos e benefícios.

Calçado barefoot: o que é?

Muitas das tendências nascem no mesmo sítio: nas redes sociais. E foi precisamente aqui que o calçado barefoot começou a atrair atenções, especialmente porque começou a ser utilizado pelos influencers nos seus reels, fotos e diretos.

Na prática, utilizar calçado baerfoot assemelha-se, em muito, a andar descalço e entra no espírito da chamada new age onde se procura emular algo mais próximo do natural ou primitivo.

Mas, afinal de contas, do que é que estamos a falar quando falamos de calçado barefoot?

Na prática, o calçado barefoot, ou calçado minimalista, são modelos de calçado que procuram respeitar determinadas características funcionais: sola muito fina e flexível, praticamente nenhuma elevação entre o calcanhar e a ponta do pé (zero drop ou muito reduzido), biqueira larga que permite aos dedos alargarem‑se de forma natural e sensação reforçada de caminhar quase descalço.

Tal como outro tipo de calçado ou vestuário, o barefoot traz consigo algumas vantagens, mas também várias desvantagens, o que exigirá, sempre, uma avaliação individual de cada pé, de cada articulação, de cada coluna e da marcha de cada um.

Vantagens do calçado barefoot

Entre as vantagens/benefícios da utilização de calçado barefoot apontados pelos especialistas, vamos encontrar:

  • Pés com maior liberdade de movimentos

Dado que reduz ou elimina a inclinação entre calcanhar e ponta do pé e evita amortecimentos exagerados, o calçado barefoot permite que o pé obtenha um melhor apoio no solo e um maior suporte externo.

Em contextos onde o calçado convencional se apoia muito em amortecimento e suporte externo, este tipo de calçado barefoot pode, assim, ser extremamente benéfico, uma vez que permite que os músculos do pé, os tendões e os ligamentos participem mais ativamente na marcha.

  • Melhor propriocepção e percepção do solo

Ao apresentar solas finas, este calçado permite ao utilizador sentir melhor a superfície do solo (terra, relva, asfalto, etc.) potenciando, desta forma, o equilíbrio e a resposta neuromuscular.

Isso mesmo foi comprovado pelo estudo “Daily activity in minimal footwear increases foot strength”. Este estudo concluiu que uma atividade diária em calçado barefoot aumenta a força dos pés em cerca de 57 % após seis meses.

  • Melhor postura e mobilidade

Entre as características do calçado barefoot encontramos o respeito pela forma natural do pé, algo que vai ter efeitos positivos na cadeia biomecânica, no pé, no tornozelo, no joelho e até na anca ajudando, neste sentido, a que se tenha uma marcha mais natural e se ganha uma maior mobilidade.

  • Menor risco de deformidades

De acordo com algumas investigações, uma utilização recorrente de calçado barefoot por pessoas saudáveis promove um reforço dos músculos do pé e, consequentemente, um menor risco de lesões e deformidades.

Desvantagens do calçado barefoot

Como sublinhamos, a utilização de calçado minimalista poderá ser uma excelente opção para pessoas que não apresentem patologias nos pés ou articulações e, de forma ideal, que já tenham sido avaliadas por um especialista em saúde do movimento ou em podologia. 

Esta avaliação é fundamental, já que a utilização de calçado barefoot pode comportar alguns riscos, particularmente em indivíduos com alterações estruturais, instabilidade articular ou determinadas patologias.

Especialistas apontam a ausência de apoio e de amortecimento neste tipo de calçado como potencial foco de lesões, sobretudo em fases iniciais de adaptação, já que uma transição brusca para este tipo de calçado pode potenciar sobrecarga nos músculos e tendões do pé, levando a microlesões ou desconforto persistente.

Por exemplo, quem apresenta pés muito planos, fascite plantar ativa ou outras condições, não retirará benefícios do uso de calçado barefoot e correrá um maior risco de lesões.

A solução passará sempre por avaliação individualizada e uma adaptação progressiva e segura.

Começar por pequenas caminhadas, em terrenos suaves como relva ou terra batida, irá permitir que o corpo e os músculos do pé e tendões se adaptem progressivamente ao calçado.

A adaptação gradual é o segredo

Passar a utilizar calçado barefoot não é, como já vimos, apenas uma questão de estilo, mas uma forma de melhorarmos a nossa mobilidade e reforçar articulações e tendões.

Para muitas pessoas, esta mudança no calçado utilizado acaba mesmo por representar uma redescoberta da mobilidade e do contacto com o solo ao passo que, para outras, esta poderá não ser a melhor solução.

A chave estará, reforçamos, na escuta ativa do corpo, na adaptação gradual e no acompanhamento profissional sempre que necessário.

Respeitar a individualidade de cada pé é essencial e deverá sempre ultrapassar qualquer tendência do momento, por isso, caso esteja a ponderar passar a usar calçado barefoot, comece lentamente, procure informar-se bem e, sempre que necessário, peça aconselhamento especializado.

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