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Importar carros elétricos: prós, contras e o que ninguém lhe diz

importar carros eléctricos

As vendas de carros elétricos em Portugal têm vindo a crescer ano após ano chegando, inclusive, a ultrapassar as vendas de carros a combustão em determinados momentos.

Os números comprovam isso mesmo. De acordo com a ACAP (Associação Automóvel de Portugal), em 2025, o mercado de carros elétricos bateu recordes, com 52 256 automóveis elétricos matriculados em Portugal, um crescimento de 25,1% face ao ano anterior.

Isto acaba por indicar que a chamada mobilidade verde já está perfeitamente integrada no dia-a-dia dos portugueses, contudo, apesar dos apoios financeiros à compra de elétricos, estes continuam a ser substancialmente mais caros do que um carro a combustão, o que leva a uma procura mais intensa por viaturas elétricas importadas.

Será, contudo, uma boa opção importar um carro elétrico? É o que vamos descobrir já de seguida.

Como importar carros elétricos?

O processo de importação de um carro elétrico é relativamente simples, senão vejamos.

Através dos canais online, nomeadamente do site do vendedor estrangeiro, verifique as características do veículo que quer adquirir e proceda ao pagamento e importação.

Após a chegada da viatura a Portugal, terá 20 dias para assegurar a sua regularização fiscal na alfândega.

Para levar a bom porto a legalização do seu carro elétrico importado, prepara-se para um processo burocrático relativamente complexo e que vai envolver documentos específicos, como um despacho alfandegário e o requerimento de uma matrícula portuguesa.

Assim, para proceder à legalização do seu carro elétrico, deve seguir estes passos:

1º Passo: Efetuar a transposição da homologação no IMT (Instituto da Mobilidade Terrestre);

2º Passo: Assegurar a inspeção obrigatória num CITV (Centro de Inspeção Técnica de veículos categoria B);

3º Passo: Receber a impressão da matrícula nacional, na DAV (Declaração Aduaneira de Veículo);

4º Passo: Enviar o processo, com toda a documentação ao IMT com o pagamento da taxa da matrícula;

5º Passo: Apresentar o Requerimento de registo automóvel na Conservatória do Registo Automóvel.

Findo este processo, será emitido o Certificado de Matrícula (CM).

Documentação necessária para importar carros elétricos

Já em termos de documentação essencial par importar um carro elétrico, vai precisar de:

  • Fatura (com o número de km, NIF, carimbada e assinada) ou declaração de venda com cópia da identificação do vendedor;
  • Livrete original, certificado de matrícula estrangeiro, título de registo de propriedade ou equivalente;
  • Guia de transporte (CMR), no caso de transporte rodoviário;
  • Seguro, no caso da viatura circular pelos próprios meios;
  • Certificado de conformidade comunitário (COC);
  • Certificado de inspeção modelo 112, emitido por um Centro de Inspeção Técnica de Veículos (CITV) da categoria B;
  • Formulário Modelo 9 do Instituto da Mobilidade e dos Transportes (IMT).

Importar um carro elétrico é caro?

Regra geral, o preço de um carro elétrico importado é menor do que aquele que é praticado em Portugal, mas terá de contar sempre com custos associados ao processo de importação como, por exemplo, os do transporte, que aumentam com a distância e com a dificuldade da rota (variando, geralmente, entre 500 e 2.000€). Para salvaguardar o seu investimento, recomendamos que solicite um seguro de transporte.

Em termos de taxas e impostos associados à importação, considere:

  • Imposto sobre Valor Acrescentado (IVA) — 23% (Portugal Continental), 22% (Madeira) e 16% (Açores) sobre o preço base, acrescido de custos de transporte, preparação e legalização, consoante a condição (usado ou novo) e a origem.
  • Taxas aduaneiras — de acordo com a pauta de serviço da Autoridade Tributária e Aduaneira (AT).

De sublinhar que, quando se trata de um carro 100% elétrico, não é cobrado nem ISV nem IUC, o que acaba por representar uma vantagem face aos carros a combustão. 

A estas despesas, juntam-se os custos logísticos do transporte e as despesas envolvidas no processo burocrático de legalização: terá de pagar pela inspeção (cerca de 91,48€), pelo COC (aproximadamente entre 100€ e 250€), pela entrega do formulário Modelo 9 IMT (45€), pela produção das chapas da matrícula (entre 15€ a 20€) e pelo Certificado de Matrícula (55€ ao balcão ou 46,80€ online).

Para efeitos de IVA, o carro elétrico importado considera-se novo ou usado?

Tal como acontece com outros tipos de carros importados, os elétricos são considerados usados para efeitos de IVA se, cumulativamente, satisfazerem os seguintes critérios à data de aquisição:

  • Ter tido uma matrícula definitiva num país da União Europeia;
  • Apresentar mais de 6.000 km;
  • Passarem mais de 6 meses desde a primeira matrícula/registo.

Caso o país de origem pertencer à União Europeia (UE), não é necessário pagar direitos aduaneiros. Neste caso, o IVA a pagar varia consoante o estado do automóvel:

  • Veículos novos: o IVA não será cobrado no país de origem, mas em Portugal. Caso o IVA tenha sido cobrado em ambos os países, poderá solicitar o reembolso no país de origem.
  • Viaturas usadas: existe isenção de pagamento de IVA, se cumprirem o disposto no parágrafo anterior.

Já se se tratar de um carro importado de fora da UE, terá de pagar o IVA e os direitos alfandegários, seja novo ou usado.

Vantagens e desvantagens em importar um carro elétrico

Afinal de contas, que vantagens e desvantagens lhe traz importar um carro elétrico?

Vantagens

Em relação às vantagens, as principais são:

  • Acesso a uma maior variedade de marcas e modelos;
  • Preço da viatura;
  • Usados comprados na UE não pagam IVA (desde que cumpram os critérios mencionados) nem direitos aduaneiros. Assim, revela-se mais vantajoso importar carros elétricos usados de países da União Europeia do que fora dela.

Desvantagens

Já no campo das desvantagens, encontramos:

  • Processo extremamente burocrático:
  • Custos e demora do processo de legalização;
  • Dificuldade logística do transporte.

Em último caso, a decisão é sempre sua, mas tenha sempre o cuidado de verificar a fiabilidade do vendedor, a sua notoriedade e a adequação do preço ao mercado. Confirme, ainda, se existem fotografias do interior, guarde toda a documentação comprovativa da compra e invista num serviço de transporte de confiança.

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