O AVC (Acidente Vascular Cerebral) é a principal causa de morte em Portugal. A cada uma hora, três pessoas sofrem um AVC, sendo que uma delas não sobrevive e, dos restantes, metade ficará com sequelas incapacitantes.
Apesar de existirem fatores de risco que são comuns a homens e mulheres, acabam por ser estas últimas a não só apresentarem um maior risco de sofrerem um AVC, como também um maior índice de mortalidade daí recorrente.
Um dos motivos para que as estatísticas indiquem uma maior prevalência e gravidade dos efeitos de um AVC nas mulheres prende-se, desde logo, com o facto de elas apresentarem uma maior esperança média de vida e o risco associado a esta doença aumentar com a idade.
Contudo, este é apenas um dos muitos fatores que ajudam a explicar o maior número de casos de AVC nas mulheres.
Fatores de risco de AVC nas Mulheres
Ao tabagismo, hipertensão e colesterol alto, riscos partilhados entre o sexo masculino e feminino, no caso das mulheres somam-se, ainda, os seguintes fatores:
– Gravidez
O risco de uma mulher sofrer um AVC aumenta quando esta se encontra grávida. Em termos globais, o risco de AVC em mulheres grávidas é de 21 em 100 mil, sendo mais elevado no terceiro trimestre de gestação e no período pós-parto.
Por esta razão, as mulheres grávidas, mais propensas à hipertensão, devem ser tratadas e vigiadas com rigor.
– Pré-eclâmpsia
Como referimos no ponto anterior, a gravidez pode, por vezes, fazer com que a pressão arterial suba e aumente para o dobro o risco da mulher sofrer um AVC mais tarde durante a sua vida.
A pré-eclâmpsia, assim se chama este fenómeno, acaba por ser agravado quando a mulher já é hipertensa.
– Contraceção oral
As mulheres que fazem contraceção oral apresentam um risco acrescido de AVC, razão para que tomem precauções extra no controlo da pressão arterial.
Refira-se, ainda, que é extremamente importante que a mulher não fume enquanto toma a pílula.
– Alterações pós-menopausa
O risco de doenças vasculares nas mulheres aumenta exponencialmente com o envelhecimento e, sobretudo, após a menopausa.
É na pós-menopausa que os AVC se tornam mais frequentes, em larga medida devido a elevados níveis de pressão arterial, colesterol e diabetes.
– Terapia hormonal de substituição
Os tratamentos de terapia hormonal de substituição, utilizados para aliviar os sintomas da menopausa, nunca devem ser prescritos no sentido de prevenirem o AVC na pós-menopausa.
– Enxaquecas com aura
Este tipo de enxaquecas estão associadas ao AVC isquémico em mulheres mais jovens, especialmente se fumarem ou tomarem contracetivos orais, razão mais do que suficiente para que, se uma mulher sofrer de enxaquecas com aura, deixe de fumar imediatamente.
– Fibrilhação auricular
Este tipo de arritmia cardíaca que pode aumentar em 20% o risco de AVC nas mulheres com mais de 75 anos.
Sintomas mais comuns de AVC
Os sintomas de AVC surgem geralmente de forma súbita e consistem em:
- Dormência ou fraqueza na cara, braço ou perna, especialmente num dos lados do corpo;
- Confusão mental;
- Dificuldade em falar e de compreensão, voz arrastada;
- Dificuldade em ver de um ou de ambos os olhos;
- Dificuldade em andar, tonturas e perda de equilíbrio ou de coordenação;
- Dor de cabeça severa sem causa identificada.
Quando uma mulher (ou homem) deteta estes sinais, deve ligar de imediato para um serviço de urgência.
Sintomas específicos na mulher
É importante sublinhar que, as mulheres, podem sofrer sintomas diferentes daqueles que são tidos como os mais habituais. Entre eles encontram-se:
- Perda de consciência ou desmaio;
- Fraqueza generalizada;
- Dificuldade respiratória;
- Confusão, apatia ou desorientação;
- Alterações comportamentais súbitas;
- Agitação;
- Alucinações;
- Náuseas ou vómitos;
- Convulsões;
- Soluços.
Devido ao facto de estes sintomas não serem facilmente associados a um AVC, tal pode concorrer para um atraso na chamada de socorro e nos consequentes cuidados médicos.
Como manda a profilaxia nestes casos, o tratamento do AVC será mais eficaz se for identificado e diagnosticado entre as primeiras três a quatro horas e meia desde o surgimento dos primeiros sintomas.
Sublinhe-se que, o tempo entre o início dos sintomas e o início do tratamento, é essencial naquelas que serão as consequências de um AVC.
Como atuam as mulheres perante os sintomas de AVC
Além das diferenças nos fatores de risco, o modo como os homens e as mulheres agem perante os sintomas de AVC também é consideravelmente diferente.
Ao passo que os homens tendem a minimizar a importância dos sintomas, não os considerando urgentes, as mulheres, por sua vez, reconhecem esses sintomas, mas tentam atribuir-lhes uma causa.
Por exemplo, caso os valores de pressão arterial estejam elevados, as mulheres tendem a concluir que se devem ao stress ou a algum tipo de medicação nova que estejam a tomar; se sentirem cansaço, poderão pensar que foi por terem dormido mal, ou por outros motivos, atrasando o pedido de ajuda médica.
Quando aparecem os primeiros sintomas de AVC, as mulheres, por vezes, não recorrem a cuidados de saúde, por não quererem preocupar os seus amigos e familiares, contudo quando os sintomas de AVC surgem é importante agir rapidamente para evitar consequências mais graves.
