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Gig economy: sabe o que é?

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Se já chamou um Uber ou encomendou comida através de uma das muitas plataformas digitais de entregas, é sinal de que já contribuiu para a Gig economy tornando-se, assim, um gig user.

Estes termos, gig economy e gig user, que à partida lhe podem parecer estranhos, mais não são do que a face visível de uma transição para uma economia sustentada pelas tecnologias digitais.

Esta mudança de paradigma não traz apenas mudanças profundas no comportamento do consumidor. O impacto que uma economia que “poupa” recursos humanos acaba, como se percebe, por trazer para o centro da discussão o papel dos trabalhadores nesta nova vertente económica.

Para que perceba do que se trata quando falamos em gig economy e qual o seu impacto no nosso dia-a-dia, vamos tentar desvendar o que se esconde por detrás desta mudança de paradigma.

O que é a Gig economy?

Apesar de, no período pré-pandemia, a digitalização da economia já ser uma realidade, a verdade é que as dinâmicas pandémicas e as medidas tomadas pelos diversos governos mundiais para mitigar o impacto do Sars-Cov 2 na economia teve como condão a aceleração da transição digital de consumidores e, consequentemente, das empresas e seus trabalhadores.

Tudo isto acabou por inaugurar aquilo a que os ingleses chamam de gig economy (“economia de tarefas” em português), uma vez que esta “nova economia” pressupõe a utilização de plataformas digitais (Apps, por exemplo) para conectar freelancers e clientes para fornecer serviços de curto prazo ou entrega de produtos tão variados como alimentos, roupa ou eletrodomésticos.

Os benefícios para o consumidor que passa a poder comprar todo o tipo de produtos e serviços a partir do seu smartphone ou PC no conforto do seu lar são imensos, mas há uma outra face nesta gig economy que não pode ser descartada: o impacto no dia-a-dia dos trabalhadores.

Se a gig economy ajuda à criação de milhares de empregos tecnológicos que, à partida, podem substituir aqueles que foram perdidos pela digitalização das estruturas e dinâmicas empresariais, oferecer uma maior flexibilidade horária e um maior equilíbrio entre vida pessoal e profissional a milhares de pessoas, a verdade é que uma grande parte dos empregos criados acabam por ser altamente precários e alimentarem aquilo a que muitos especialistas chamam de “escravatura do séc. XXI”.

Ainda que a quota das plataformas da gig economy no total da taxa de emprego seja reduzida e se centre, de acordo com a OCDE, entre os 1% e 3% do emprego total, esta mesma organização afirma que esta quota está a crescer rapidamente o que, como se percebe, coloca em cheque os direitos e enquadramento legal dos trabalhadores que dependem destas plataformas de gig economy para sobreviverem.

Daqui nasce o desafio para que os decisores políticos tentem equilibrar a inovação que cria empregos com a necessidade de assegurar que as empresas ofereçam aos seus trabalhadores os benefícios adequados à função. Numa palavra: regulação.

Regulação que já está a tomar forma em Espanha. No país vizinho, uma nova lei vai ser apresentada ao Conselho de Ministros para classificar todos os profissionais que trabalham para plataformas de entrega como assalariados, passando estes a terem acesso a direitos como subsídio de desemprego, férias ou licença por doença.

Esta necessidade de regulamentar a gig economy faz também parte da lista de prioridades das entidades da União Europeia, como afirma Joost Korte, diretor-geral europeu para o Emprego:

Este setor muito promissor tem muitas vertentes boas, tais como um melhor equilíbrio entre trabalho e vida pessoal, mais flexibilidade, acesso ao mercado de trabalho para pessoas que se encontram por vezes em circunstâncias muito difíceis, mas precisa de ter por base um modelo sustentável. Caso contrário, o que vai acontecer é que vamos chegar a soluções diferentes em diferentes Estados-membros, o que será negativo no contexto do mercado único“.

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