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Hepatite A: tudo o que precisas de saber

Hepatite A: tudo o que precisas de saber

No início deste mês, a DGS emitiu um alerta para um novo surto de hepatite A em Portugal. Fica a conhecer os sintomas, a transmissão e os possíveis tratamentos associados a esta doença.

A Direção-Geral de Saúde (DGS) reportou, no início do mês de março, um surto de hepatite A, em Portugal. No período de 1 de janeiro a 5 de março, foram detetadas um total de 23 ocorrências da doença, sendo que a maioria dos casos afetou homens com idades compreendidas entre os 20 e os 49 anos. 

Segundo o comunicado divulgado no site da DGS, 44% dos casos resultaram de transmissão sexual, sem nenhum caso crítico ou fatal. A DGS adiantou ainda que, até ao momento, “não parece haver associação com o eventual consumo de alimentos específicos”. Em causa está o alerta de segurança alimentar da Europa sobre a detecção e pré-venda, em Espanha, de lotes de morangos contaminados com vírus de hepatite A oriundos de Marrocos, país endémico de hepatite A.

Apesar de ainda estar em curso uma investigação epidemiológica, pode-se dizer que verificou-se “um aumento de número de casos reportados em janeiro e fevereiro de 2024, em comparação com igual período de anos anteriores”.

Em 2020, reportaram-se quatro casos, entre janeiro e fevereiro, em 2021, dois casos, em 2022, seis casos, em 2023, dois casos, e em 2024, 18 casos. No total, entre 2020 e 2023 contabilizaram-se 102 casos.

Mas afinal o que é a Hepatite A? Quais são os sintomas mais comuns? E as principais formas de transmissão? A seguir explicamos-te tudo.

O que é a hepatite A?

A hepatite A, uma infeção aguda do fígado, causada por um vírus ARN, membro do género Hepatovírus, da família dos Picornaviridae, designado por vírus da hepatite A (VHA). Quando isso acontece, o fígado não consegue desempenhar as suas funções e as lesões podem evoluir para cirrose ou cancro.

Trata-se de doença benigna e autolimitada — isto é, que habitualmente se resolve sem problemas e sem evolução para a cronicidade. Só em casos muito raros (1%) se apresenta na sua forma fulminante. De fato, a mortalidade associada à hepatite A é baixa, sendo maior em idosos e em doentes com cirrose.

Como se transmite?

A hepatite A transmite-se essencialmente por via fecal-oral após contacto com água e alimentos contaminados. Ou seja, o contágio pode acontecer em situações como: 

  • Comer alimentos manuseados por alguém com o vírus e que não lava bem as mãos; 
  • Ingerir água contaminada;
  • Comer alimentos lavados com água contaminada;
  • Comer peixe ou marisco cru proveniente de água poluída dos esgotos.

Assim sendo, com a melhoria do saneamento básico, das condições de higiene, acesso a água potável e cuidados na confeção de alimentos, a hepatite A é hoje uma doença rara em Portugal.

No entanto, esta doença hepática possui ainda outra via de transmissão, a sexual — mais frequente nos casos do nosso país — que implica um contacto íntimo com uma pessoa previamente infetada com esse mesmo vírus. 

De fato, a grande maioria dos casos de hepatite A em Portugal está relacionada com viagens para países de risco ou com surtos esporádicos em comunidades de homens que têm sexo com homens.

Assim, os principais fatores de risco para a contaminação da hepatite são a ingestão de água ou alimentos contaminados, as relações íntimas sem proteção e a ausência de imunização/vacinação.

Sintomas da hepatite A

Embora esta doença normalmente seja assintomática — ou seja, não apresenta sintomas —, Quando tem sintomas, eles manifestam-se das seguintes formas:

  • Icterícia ou pele de cor amarelada;
  • Febre; 
  • Tosse;
  • Dores nos músculos e articulações;
  • Náuseas e vómitos;
  • Dores de cabeça;
  • Fadiga.

Tratamento da hepatite A

Não existe uma cura específica para a hepatite A. De modo geral, numa fase aguda, o tratamento passa essencialmente por permitir que o fígado possa recuperar. 

Para tal, deves adotar repouso e um regime mais cuidadoso. Isto inclui uma dieta rica em proteínas e pobre em gordura, abstinência total de álcool e evitar medicamentos que possam afetar negativamente a função hepática.

O seu tratamento raramente exige internamento hospitalar e tem uma duração entre três a cinco semanas — normalmente não conduzindo a doença crónica.

Como prevenir?

A profilaxia é feita através da administração de imunoglobulina humana ou da vacina contra o vírus da hepatite A, tendo em conta vários fatores, como a idade e o estado da doença hepática. A vacina contra a hepatite A está disponível mediante prescrição médica, em farmácias comunitárias.

Como esta é causada pelo vírus da hepatite A (VHA) e transmite-se fundamentalmente pela comida contaminada e pela água não tratada, as autoridades sanitárias recomendam ainda:

  • Lavar as mãos com água e sabão depois de ir à casa de banho, bem como antes e depois das refeições;
  • Higienizar os espaços de confeção de alimentos;
  • Consumir apenas alimentos que acabaram de ser cozinhados;
  • Beber água engarrafada comercialmente ou fervida se não se tiver a certeza do saneamento local;
  • Comer frutas descascáveis ​​se se estiver num local com saneamento impróprio;
  • Lavar o corpo, especialmente a região genital e perianal, particularmente, antes e após o uso de instalações sanitárias e antes e após as relações sexuais;
  • Fazer a vacina contra a hepatite A antes de viajar para regiões onde esta é endémica.
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